
André Lanzoni, continua preso em Sorocaba, aguardando o resultado das investigações sobre o caso (Reprodução/rede social)
Subiu para 14 o número de denúncias de vítimas do líder espiritual de Campinas, André Lanzoni, segundo o Ministério Público (MP). Até ontem (8), já haviam sido instaurados 11 inquéritos policiais, referentes a 11 vítimas, e outros três casos chegaram até à Promotoria por meio de denúncias. A participação da esposa nos crimes ainda está sob investigação.
Segundo o MP, os casos estão sendo analisados para decidir-se qual providência será tomada. “Nas denúncias oferecidas, foi possível verificar a ocorrência, em tese, do crime previsto no art. 215 do Código Penal, de violação sexual mediante fraude, na forma qualificada do art. 226 do Código Penal, com aumento de metade da pena, visto que o agente tinha autoridade sobre as vítimas. Ainda pende a análise de outros inquéritos policiais, nos quais poderão surgir ou não outros delitos”, apontou a Promotoria.
De acordo com as denúncias recebidas, das quais três encontram-se na Justiça Criminal, há uma prática comum de Lanzoni sobre todas as vítimas. “O acusado se apresentava como líder espiritual, uma reencarnação divina, exercendo um poder de autoridade sobre as vítimas, ao ponto de elas o consultarem sobre quais decisões deveriam tomar. Ele dizia para as “clientes” que todos os problemas delas decorriam do fato do chacra original delas, o sexual, estar travado e que ele iria destravá-lo, quando então ele as tocava, masturbando-as ou ainda fazendo com que elas praticassem sexo oral nele, dentre outros atos libidinosos. Com algumas, também houve a conjunção carnal”, apontou o Ministério Público.
Em relação à esposa do acusado, o MP participou das oitivas com ela e investiga o seu envolvimento nos crimes. Ela negou que soubesse dos atos do marido. Já Lanzoni permaneceu em silêncio. “Desde que existam provas de outros crimes, o Ministério Público poderá oferecer denúncia contra o investigado por outros crimes”, destacou o MP, que reforça ainda para que pessoas que tenham informações ou tenham sido vítimas de Lanzoni busquem o 12º Distrito Policial ou façam contato por meio do e-mail [email protected].
A reportagem procurou o advogado de defesa de André Lanzoni, Carlos Henrique, que informou estar aguardando a acusação ser formalizada para se manifestar.
Relembre o caso
O terapeuta holístico André Lanzoni foi preso no dia 10 de março deste ano acusado de ter praticado abusos sexuais na clínica Semear, negócio que mantinha com a esposa. A prisão preventiva foi decretada com base na denúncia de cinco vítimas que buscaram o 12º Distrito Policial de Sousas. De acordo com o Ministério Público, as vítimas se reuniram e identificaram que a prática dos abusos durante as sessões ocorria com todas e era semelhante, induzindo-as a não falarem sobre os atos nas sessões. Ainda em dezembro do ano passado, elas começaram a se organizar e formalizaram a denúncia em 17 de fevereiro deste ano.
Os inquéritos foram distribuídos ao Fórum, chegando ao MP no dia 7 de março, que passou a acompanhar o caso.
Nas denúncias, as vítimas relataram que Lanzoni as levava para a terapia em uma sala e mantinha a porta fechada. Ele alegava que precisava alinhar os chakras e curar o “fogo interior”. Muitas dessas vítimas estavam em depressão ou com outros problemas psicológicos. Durante as sessões, ele tocava nos seios, masturbava as vítimas e, em alguns casos, ejaculava em suas bocas, falando que era o “sêmen sagrado”.
A esposa, que será ouvida em todos os inquéritos, prestou o primeiro depoimento em 14 de março e negou que tinha conhecimento sobre os abusos. Todos os processos correm em segredo, a fim de evitar a identificação das vítimas por meio dos relatos.