Michel foi citado pelo delator Daniel Câmara, ex-diretor da Organização Social Vitale como o responsável direto pela contratação de Maurício Rosa
Em depoimento ao Plenário da Câmara, no final da tarde de ontem, o secretário municipal de Governo e sobrinho do prefeito Jonas Donizette (PSB), Michel Abrão Ferreira, negou que tenha indicado o servidor Maurício Rosa com o objetivo de realizar um plano de arrecadação de propina no esquema de corrupção do Hospital Ouro Verde. Michel foi citado pelo delator Daniel Câmara, ex-diretor da Organização Social Vitale (empresa que administrava o Hospital Ouro Verde) como o responsável direto pela contração de Maurício Rosa — servidor que teria ficado incumbido de fazer a Saúde dar retorno financeiro à Administração Municipal. Nas gravações, o delator afirmou que Michel determinou a contratação de Maurício Rosa como diretor da Secretaria de Saúde para que ele pudesse coordenar um esquema de cobrança de propinas de laboratórios privados. Maurício foi exonerado do cargo em dezembro do ano passado. Ontem, Michel negou todas as acusações e disse que a indicação de Rosa foi feita após ele mesmo avaliar o currículo do servidor e que a contratação foi feita pelo secretáro de Saúde. “O Carmino (Carmino de Souza, Secretário de Saúde) conversou comigo na minha sala e ele se mostrou preocupado. Disse que estava descontente e que estava pensando em trocar o diretor de Saúde, mas que não tinha feito isso ainda, porque não tinha nenhum nome em mente”, afirmou. “Um dia eu peguei uma pasta cheia de currículos e fiquei folheando. No meio da pasta, um dos currículos me chamou a atenção: o do Maurício Rosa. Eu examinei e achei que ele pudesse atender àquilo que o Doutor Carmino estava procurando. Entreguei o currículo para o Carmino, ele gostou e contratou o Maurício”, completou. Michel não é o primeiro secretário do Governo Jonas que têm o nome envolvido em denúncias do Hospital Ouro Verde. O ex-secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, foi preso em novembro do ano passado, na terceira fase da operação, acusado de ter conduzido a contratação de empresas que prestariam os serviços superfaturados pela OS Vitale. No dia 5 de fevereiro, ele e outros oito envolvidos na operação tiveram os pedidos de habeas corpus concedidos pela Justiça. O secretário de Saúde, Carmino de Souza, também foi citado como integrante do esquema e prestou depoimentos. A delação realizada por Daniel Câmara foi considerada pelos investigadores, na época, como um “fato novo” e que o Governo não gostaria que fosse revelado em meio aos trabalhos da Comissão Processante (CP) — que até o mês passado, apurava a suposta omissão do prefeito Jonas Donizette nos desvios de recursos do Ouro Verde. Após as investigações, a maioria dos vereadores acabou considerando que o relatório elaborado pela CP não continha indícios de que o prefeito tivesse participado ou se omitido do esquema de corrupção. A Sessão O requerimento para que Michel comparecesse à Câmara de Campinas para dar explicações sobre o caso, foi protocolado pelo vereador Nelson Hossri (Podemos). O secretário de Governo teve trinta minutos cronometrados para se explicar. Ele abriu a explanação falando sobre Deus. “O meu juiz é Deus que está no céu. Eu sigo a Bíblia Sagrada e eu sigo o que Paulo falou sobre o julgamento. Eu reconheço a autoridade dos vereadores também e por isso estou aqui”, disse. Na sequência, citou a crise que o País passou recentemente e começou a explicar sobre os investimentos de Campinas na área da saúde, querendo dar a entender que tudo está funcionando corretamente. Depois de quase 20 minutos de abertura, e de usar apenas cinco minutos para negar as acusações e explicar como se deu a contratação de Maurício Rosa, Michel voltou a falar sobre sua religiosidade nos últimos cinco minutos. No total, dos 30 minutos que tinha para falar sobre as acusações, 25 minutos foram destinados a falar sobre assuntos não relacionados a sua convocação para esclarecimentos. O vereador Nelson Hossri lamentou a postura de Michel e afirmou que o secretário, em vez de se explicar na Câmara, ficou fazendo propaganda do governo. “Todas as respostas foram insatisfatórias. Ele perdeu uma grande chance de prestar esclarecimentos para a população”, frisou. “Ele vai ter que dar todas as respostas que não deu aqui no Ministério Público”, ressaltou.