fenômeno

Som misterioso deixa perguntas no ar

Um som incomum, percebido por pessoas em diferentes bairros de Campinas, cidades da região e até com registros em outros estados e países

Francisco Lima Neto
11/04/2020 às 09:52.
Atualizado em 29/03/2022 às 16:17

Um som incomum, percebido por pessoas em diferentes bairros de Campinas, cidades da região e até com registros em outros estados e países, desde o último final de semana, tem intrigado e deixado muitas perguntas sem respostas. O som é descrito como o barulho de uma turbina de avião, um estrondo, algo musical, explosão ou mesmo como um apito. Julio Lobo, astrônomo do Observatório Municipal de Campinas, é um dos que ouviram o fenômeno. "Eu ouvi na madrugada de sábado (dia 5) para domingo, às 2h15. Eu estava fazendo algumas consultas na internet e, de repente, escutei como se fosse a turbina de um Boing 747 aterrissando no meu telhado. Eu olhei, mas não tinha nada. Avião a gente escuta baixinho, fica alto e depois diminui até sumir. Esse não. Apareceu do nada e sumiu do nada", relata. No mesmo instante, um conhecido que está em Areado, em Minas Gerais, enviou mensagem para Lobo. "Ele me mandou mensagem descrevendo a mesma coisa. Ou seja, não era avião. Se fosse, seria ouvido em todo o meu bairro. Mas minha mulher estava em outro cômodo e não ouviu nada", avalia. Para fins de pesquisa, o astrônomo perguntou em sua página, em uma rede social, quem tinha percebido o fenômeno. "Recebi mais de 800 mensagens. Começou a aparecer gente de vários bairros relatando a mesma coisa", garante. Além dos bairros de Campinas, Lobo recebeu relatos parecidos de Valinhos, Pedreira, Águas de Lindóia, Indaiatuba, Iracemápolis, Porto Feliz, Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Itália e Portugal. Muita gente questionou se trata-se de um experimento militar secreto, conspiração mundial, energia vinda do centro da galáxia, meteoros, eventos ligados à espiritualidade ou até mesmo da volta de Jesus Cristo. Com respeito, principalmente pelas crenças espirituais, o astrônomo refuta as teses. "Não acredito que seja nada disso. Particularmente, acho que é um evento que ocorre na alta atmosfera", avalia. No entanto, ele mesmo admite que são muitas as perguntas sem respostas. "Por qual razão algumas pessoas ouvem e outras não, mesmo estando na mesma região? Gente de longe no mesmo horário ouviu, e gente perto não. Se fosse um evento amplo na alta atmosfera quase todo mundo ouviria ao mesmo tempo", questiona. "Pode ser algo simples e banal, mas ninguém conseguiu achar algo que explique ainda", afirma. Segundo o astrônomo, esses relatos não são novos, e já ocorreram seis ou sete anos atrás. "Tem quem diga que isso está sendo ouvido agora porque o planeta está quieto por causa da Covid-19. Mas sete anos atrás estava em plena atividade e ouviam do mesmo jeito", diz. Lobo explica que por conta do isolamento, as pessoas estão mais sensíveis. "Esses sons, as pessoas poderiam ter escutado antes, mas agora ouviram e perceberam", afirma. Estudo Lobo está recolhendo os depoimentos das pessoas que ouviram o som no mesmo horário que ele. "Vou juntar os dados e tentar entender a dinâmica, a amplitude do evento. Vou buscar na literatura e ver como se encaixa", relata. Ele afirma que está fazendo isso por curiosidade. "O que me intriga é que algumas pessoas ouvem e outras não. Tem caso de filha que acordou com o barulho, mas o resto da família não ouviu nada. Não é minha especialidade, mas vou estudar e vou precisar de alguns meses para ter alguma coisa. Não quero fazer nada na base do achismo", adianta. Quando tiver respostas, ele pretender fazer palestra no Observatório Municipal sobre o tema.

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