Estatísticas oficiais indicam que a cada sete dias uma pessoa tira a própria vida em Campinas

Sudeste concentra quase metade dos casos, cerca de 49%, seguido das cidades localizadas no Sul do País, que computaram aproximadamente 25% (Leandro Torres/AAN)
A cada sete dias uma pessoa tira a própria vida em Campinas, segundo dados da Secretaria de Saúde do Município de Campinas. O levantamento apontou que de janeiro a agosto deste ano ocorreram 24 casos de suicídios na cidade. Se somados a um período mais longo, de janeiro de 2017 a agosto deste ano, o número atinge os 81 óbitos. Desde a semana passada, o Município tem participado da campanha de conscientização Setembro Amarelo sobre suicídio. O Ministério da Saúde divulgou, ontem, novos dados sobre o tema no país. O estudo apontou que a intoxicação exógena -, que é relativo às causas externas como medicamentos, venenos domésticos e industriais. plantas entre outros -, é o meio utilizado por mais da metade das tentativas de suicídio notificadas no País. Com relação aos óbitos, a intoxicação é a segunda causa, com 18%, ficando atrás somente das mortes por enforcamento, que atingem 60% do total. A atualização do boletim é uma das metas da Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio, lançado pela secretária em 2017. Além do novo panorama do suicídio no País, o órgão governamental ainda aprofundou as investigações sobre as tentativas devido à intoxicação exógena, já que nos últimos onze anos, dos 470.913 registros de intoxicação por remédios, 46,7% (220.045) foram por suicídio. Ao longo de todo o ano passado, o índice registrado foi cinco vezes maior do que 2007, saindo de 7.735 notificações para 36.279. Entre as regiões brasileiras, o Sudeste concentrou quase metade (49%) dos casos, seguido da região Sul, que computou cerca de 25%. A Região Norte foi a que teve os menores índices, em torno de 2%. Em relação aos gêneros, as mulheres representaram quase 70% (153.745) do total de tentativas de suicídio por intoxicações exógenas nesses 11 anos. Sobre os agentes tóxicos utilizados, os medicamentos correspondem a 74,6% das tentativas entre as mulheres e 52,2% entre os homens. As intoxicações resultam ainda em 4,7% de óbitos em homens e 1,7% nas mulheres. Problema mundial De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma tentativa de suicídio no mundo a cada três segundos e um suicídio concretizado a cada 40 segundos. No Brasil, a cada 45 minutos, uma pessoa tira a própria vida, segundo os dados mundiais. Por causa de índices assustadores como esse, há quatro anos a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), promovem a campanha do Setembro Amarelo com o objetivo de combater o ato, que hoje é responsável por matar cerca de um milhão de pessoas por ano no planeta. O coordenador do Departamento de Psiquiatria da Sociedade de Medicina de Campinas e professor da faculdade de medicina da PUC-Campinas, Eduardo Henrique Teixeira, explicou que o suicídio é um fenômeno complexo e multifacetado, que pode afetar indivíduos de diferentes, origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. “O suicídio não é brincadeira e nem uma frescura como muitos insistem em classificar. É uma questão de saúde pública grave, que demonstra o maior grau do sofrimento humano. Quem é vítima desse sofrimento, dificilmente comenta sobre as suas angústias com a família ou amigos, justamente, porque o suicídio é um assunto tabu. É algo que é visto pela maioria das pessoas como um pecado religioso, uma vergonha humana ou um sinal de fraqueza”, comentou. Dentre as intervenções universais de prevenção do suicídio, Teixeira destaca a importância da atenção e da disponibilidade afetiva com o doente. Para ele, é fundamental que as pessoas fiquem atentas aos sinais que são dados pela vítima. “A maioria das pessoas, antes de tentar tirar a própria vida, demonstra sinais de sofrimento e tem mudanças repentinas de hábitos, como isolamento, tristeza profunda, queda de rendimento na escola ou no trabalho, entre outras. É importante que as pessoas próximas fiquem atentas a esses sinais repentinos, busque conversar e entender quais são as angustias dele ou dela, e caso a vítima fale abertamente sobre o assunto, procurar uma ajuda profissional”, ressaltou o especialista. Segundo a OMS, em números oficiais, o suicídio ocupa atualmente a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, e a sétima entre as crianças e adolescentes, de 10 a 14 anos. “O que nós estamos percebendo é um aumento enorme nos números de suicídios entre jovens. São dados preocupantes, ainda mais se tratando de uma faixa etária, na qual o prazer pela vida deveria ser intenso”, afirmou Teixeira.