crise

Supermercados restringem venda por cliente

Por conta da atual crise do novo coronavírus, supermercados de Campinas já começaram a impor restrições na venda de produtos aos seus consumidores

Gustavo Magnusson
27/03/2020 às 10:28.
Atualizado em 29/03/2022 às 19:46

Por conta da atual crise do novo coronavírus, redes de supermercados de Campinas já começaram a impor restrições na venda de produtos aos seus consumidores. O Enxuto, na Avenida John Boyd Dunlop, decidiu limitar a quantidade de alimentos perecíveis comercializados por pessoa. Os fregueses podem adquirir até cinco unidades de arroz, feijão, óleo, açúcar, café, macarrão, biscoito, pão, dentre outros itens que se enquadram na categoria. Placas na entrada e no setor de atendimento do supermercado foram instaladas para orientar os consumidores a respeito das limitações relativas às categorias e quantidades. De acordo com a auxiliar administrativa do Enxuto, Franciara Barbosa Silva, a medida de limitar o consumo de alimentos começou a valer na última segunda-feira, quando se iniciou o período de quarentena em Campinas, decretado pelo prefeito Jonas Donizette de forma antecipada à determinação estadual. "A decisão foi tomada pela equipe de direção do nosso supermercado. Cada mercado está com uma ideia diferente. Alguns concorrentes estão colocando plásticos e vidros ao redor dos operadores de caixa para proteger dos clientes", explica. "Como a demanda cresceu muito rápido, precisamos limitar alguns itens para atender a capacidade da cadeia produtiva, ou seja, para que não saia mais produtos do estoque do que as indústrias têm capacidade de produzir e entregar. Não há, nesse momento, problemas de abastecimento, as indústrias estão produzindo e, muitas vezes, até aumentando a produção. Precisamos, mais do que nunca, praticar o consumo consciente e comprar apenas o suficiente para nossas famílias sem exageros, assim ninguém vai ficar desabastecido durante esse período de adaptação. A estratégia de limitar alguns itens é justamente para lembrar as pessoas que não é necessário comprar além desse limite, que é o consumo tradicional dos lares aqui na região. O Enxuto não é o único que está praticando, várias redes aqui da região também estão adotando essa medida para controlar o consumo exagerado nesse período de pandemia", afirmou a gerente de marketing do Enxuto, Leticia Guilhermino. Ao contrário dos alimentos perecíveis, a venda de frutas no Enxuto não sofreu restrições até o momento, nem a comercialização de produtos de limpeza e higiene. "Tivemos bastante problema com papel higiênico, mas a gente não chegou a colocar limitação. O álcool gel está em falta, então também não chegamos a tomar medida sobre este produto específico", revela Franciara Barbosa. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), tanto o órgão quanto o Procon estão informando supermercados de que estão autorizados a limitar o número de produtos. Neste cenário, cada rede tem a liberdade de definir de que forma será realizada a prática de restrição com base em sua situação de estoque. O Código de Defesa do Consumidor possibilita, em seu artigo 39, I que seja condicionado o fornecimento de produtos a limites quantitativos diante de uma justa causa. Outras práticas Além da medida restritiva em relação aos alimentos, o supermercado Enxuto também está adotando outras iniciativas como forma de combate ao contágio do coronavírus, dentre elas horário específico para atendimento aos idosos. "A primeira medida que a gente tomou foi estipular a faixa das 7h às 8h preferencialmente para os idosos. Apesar de termos placas e avisos no site sobre essa questão, pessoas mais novas às vezes vêm ao mercado neste horário, mas ontem só tinha pessoas mais velhas no período. Além disso, a fila para efetuar a compra está com uma fita vermelha para deixar clientes e operadores de caixas a um metro e meio de distância", diz Franciara Barbosa. As iniciativas do Enxuto vão de encontro à recomendação do Ministério Público do Trabalho, que na última sexta-feira notificou estabelecimentos para que desenvolvam um plano de contingência. Procon de Valinhos define mais regras para comércio Os supermercados de Valinhos também decidiram impor restrições na quantidade de produtos essenciais comercializados por pessoa. De acordo com a diretora do Procon-Valinhos, Vilma Albuquerque, a decisão foi tomada após uma reunião em caráter emergencial realizada na última segunda-feira. "O encontro contou com a participação de integrantes da Associação Comercial e Industrial de Valinhos (ACIV), além de empresários de grandes mercados. Estamos de plantão e atentos às responsabilidades do fornecedor e do consumidor", alerta. Em relação aos alimentos considerados principais, os compradores não poderão ultrapassar o limite de 10kg de arroz, 3kg de feijão, 2kg de leite em pó e 24 litros de leite em caixa. Na sessão de limpeza, as limitação impostas são de até 2 litros de álcool 70º e 500ml de álcool em gel, entre outras. Por fim, quando acessar o setor de higiene, o consumidor não poderá adquirir mais do que 24 rolos de papel higiênico, por exemplo. Todo os estabelecimentos da cidade de Valinhos deverão seguir a cartilha, além de estarem sujeitos a punições se elevarem o preço correto dos produtos. A Guarda Civil Municipal vai acompanhar o processo e será acionada em caso de descumprimento das normas. Além das limitações às compras de produtos, as redes de supermercados de Valinhos também recomendam que apenas uma pessoa da família vá até o mercado e, de preferência, não leve crianças. Outra orientação é que, se possível, idosos não façam compras presencialmente.

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