A tarifa do transporte coletivo de Campinas se tornou um dos principais alvos dos candidatos a prefeito nas eleições de novembro

Empresas registraram queda de 80% e em agosto, com a flexibilização, houve uma ligeira recuperação (Cedoc/RAC)
A tarifa do transporte coletivo de Campinas se tornou um dos principais alvos dos candidatos a prefeito nas eleições de novembro, que prometem, no primeiro ano de governo, adotar medidas que vão do congelamento do preço, revisão de contratos com as empresas para reduzir o valor, até a estatização do sistema de transporte público. Congelada em R$ 4,95 desde julho do ano passado, o preço vem sendo mantido com subsídio mensal de R$ 6 milhões pago pela Prefeitura ao Sistema Intercamp (R$ 5 milhões), operado por ônibus das empresas concessionárias do transporte coletivo e mini/midiônibus do serviço alternativo, e ao Programa de Acessibilidade Inclusiva (R$ 1 milhão). A pandemia fez cair o número de passageiros transportados. No início da quarentena, nos meses de março e abril, quando apenas serviços essenciais funcionaram, as empresas registraram queda de 80% e em agosto, com a flexibilização, houve uma ligeira recuperação, mas ainda assim transportando 55% menos em relação ao período de antes da pandemia. Agora, mesmo com Campinas na fase verde do Plano SP, a recuperação ainda não ocorreu e segundo as concessionárias, estão com praticamente a metade da demanda que existia antes da pandemia. Municípios com mais de 200 mil habitantes, como é o caso de Campinas, esperam desde agosto pelo auxílio federal emergencial ao transporte para garantir o serviço. Aprovado na Câmara dos Deputados em agosto, o projeto que prevê repasse de R$ 4 bilhões a estados e municípios está parado no Senado. O presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Jonas Donizette (PSB), disse que a entidade está trabalhando para o projeto ser incluído na pauta. A nova licitação para o transporte coletivo está suspensa há um ano, inicialmente pelo Tribunal de Contas do Estado e depois também pela Justiça e enquanto não há a liberação, o processo licitatório não pode ser retomado. O edital da concessão do transporte dividiu a cidade em seis áreas e o custo total do contrato, por 15 anos, foi estipulado em R$ 7,4 bilhões. A tarifa básica aos passageiros ficou estipulada no valor atual, de R$ 4,95. Os candidatos a prefeito apontam algumas alternativas para garantir um serviço de qualidade aos passageiros, com tarifa acessível. Veja o que eles propõem: PROPOSTAS DOS CANDIDATOS Ahmed Tarique (PMN) — Vou abrir uma licitação e trazer empresas de fora que ofereçam um serviço sustentável de qualidade respeitando o meio ambiente a não poluição, e que ofereçam ônibus elétricos, com wi-fi, horários pelos apps em tempo real, por uma tarifa justa e vou diminuir para R$ 2,50 a passagem. Vou voltar com o empréstimo de saldo negativos do bilhete único quando o passageiro fica devendo, sendo abatido na próxima recarga, pretendo buscar mais recursos no governo federal e estadual para melhorar o transporte publico. Alessandra Ribeiro (PCdoB) — A pandemia revelou a situação precária e a péssima gestão do transporte coletivo. A prefeitura paga cerca de R$ 5 milhões mensais de subsídios para as empresas e essas, praticamente não pagam as multas devidas pelas suas infrações. Vamos buscar novas formas de financiar o transporte coletivo, rever e planejar um novo sistema que atenda as necessidades da população e ter como meta a redução gradual da tarifa e no futuro implantar a Tarifa Zero. Manterei as gratuidades e acrescentarei o passe desemprego. André Von Zuben (Cidadania) — Não terá aumento da tarifa no ano que vem. A tarifa já está muito cara e vamos subsidiar o valor para que a população não seja prejudicada. Vamos fazer uma nova licitação para mudar a forma do contrato das empresas de ônibus, que hoje recebem pelo número de passageiros e com isso os ônibus ficam superlotados. As empresas receberão por quilômetros rodados e colocarão mais ônibus em circulação, garantindo um transporte público de qualidade. Artur Orsi (PSD) — Vamos manter o congelamento da tarifa de transporte indefinidamente, até concluirmos as análises das planilhas de custos das empresas de ônibus e, se houver possibilidade, reduziremos do valor da passagem, uma das mais caras do País. Vamos realizar ainda uma nova licitação para o transporte com exigência de ônibus mais novos, confortáveis e com ar-condicionado. Dario Saadi (Republicanos) — Tenho três grandes compromissos para o transporte: ampliar e modernizar a frota com ônibus climatizados, com wi-fi e ao menos 15% de veículos elétricos, não reajustar a tarifa em 2021 nem mexer no subsídio e concluir o BRT, colocando em operação o sistema que vai dar qualidade e reduzir o tempo de deslocamento das pessoas para os eixos Ouro Verde e Campo Grande. Integrar ciclovias aos terminais e evoluir na mobilidade urbana dos campineiros. Delegada Teresinha (PTB) —- Há uma disparidade em Campinas ter a 2° tarifa mais cara do Brasil, e a pouca qualidade do transporte coletivo. Apenas esse ponto já é o suficiente para questiona-lo, cujos problemas afetam a cidade como um todo. Só congelar a tarifa por um ano não adianta. É preciso enfrentar os reais problemas, como a falta de transparência nos gastos públicos no setor e a ausência de fiscalização, os quais, aplicados eficientemente ajustam o contrato sem subsidia-lo. Edson Dorta (PCO) — Ninguém usa ônibus porque quer, mas porque precisa. Por isso o serviço tem que ser estatal, diante disso o PCO defende fim do monopólio capitalista sobre os transportes públicos urbanos; estatização das grandes companhias de transporte, completa liberdade para operação dos pequenos transportistas (perueiros), passe livre para estudantes e desempregados, tarifa baseada nos gastos operacionais da empresa estatal. Várias vezes inferior aos de hoje. Helio de Oliveira Santos (PDT) — Hoje temos a tarifa de ônibus mais cara do País! Vou retomar a função do Bilhete Único, priorizar ciclovias e pedestres, ampliar o transporte de deficientes com ônibus exclusivos e revisar o preço das passagens. Herdei uma Campinas desigual. Acabei com a informalidade dos perueiros, construí a Nova Rodoviária, concluí o túnel Joá Penteado, dupliquei a estrada dos Amarais e investi na quebra de barreiras para deficientes, a começar pelo acesso à Prefeitura. Laura Leal (PSTU) — Somos contra o subsídio, pois é dar dinheiro público para o lucro dessas empresas. Aliás, a Prefeitura tem sido subserviente aos empresários do transporte, pois não cobra melhorias na frota e sequer fiscaliza o cumprimento do contrato. Para ter uma tarifa mais barata é preciso municipalizar o transporte. Com uma empresa estatal podemos garantir um serviço de qualidade, com melhoria das frotas, mais linhas de acesso aos bairros e passe livre. Pedro Tourinho (PT) — Campinas tem a tarifa mais cara do Brasil e péssimos serviços. A tarifa será congelada. A gestão do transporte, que hoje está na mão dos empresários, voltará ao poder público, com controle social. O novo modelo será contratação por km rodado, o que vai reduzir a tarifa. A nova licitação vai trazer mais linhas, ônibus modernos com wi-fi e acessíveis, mais conforto e pontualidade. Não haverá aumento do subsídio. Bom transporte público é menos carros nas ruas e mais qualidade de vida. Rafa Zimbaldi (PL) — Vamos fazer estudo da planilha tarifária em Campinas e avaliar a possibilidade de redução do valor, logicamente, dentro das condições que nós já trabalhamos hoje, inclusive, com o atual subsídio. Vamos fazer uma revisão total da tarifa e do plano tarifário. Também vamos trabalhar em uma parceria público-privada para novas modalidades de transporte público, como o VLT. Com isso, teremos uma concorrência saudável, diminuindo os preços das tarifas em Campinas. Rogério Menezes (PV) — Iremos manter a tarifa e implementar um plano para dar eficiência e reduzir custos, aumentando a velocidade, retirando linhas sobrepostas e mudando o modelo de remuneração da tarifa. Implementaremos um novo modelo de remuneração baseado em qualidade, e não mais em custos. Vamos viabilizar um fundo para comprar uma frota de ônibus elétricos, abastecidos por energia solar, que vai reduzir muito os custos do sistema e melhorar a qualidade dos ônibus. Rogério Parada (PRTB) — Com a tarifa mais cara do país e ônibus sem itens de conforto, não há necessidade de novo reajuste em 2021. Esta equação será revista com a participação dos empresários e chegaremos a firmar contrato saudável e ético sobre a tarifa. Será mantida num primeiro momento e reduzida em seguida após revisão do edital de mobilidade urbana. O equilíbrio econômico se dará através da diminuição das "obrigações" dos empresários no exercício de sua atividade. Wilson Matos (Patriota) — Vou rever os contratos com as empresas de ônibus e renegociar as condições com o objetivo de reduzir as tarifas de 15% a 20%. Pelo fato de a minha campanha não receber dinheiro privado, não tenho rabo preso com empresas de ônibus. No meu governo não haverá pressão política e as empresas terão liberdade econômica, a partir da concorrência e da cobrança de metas, o serviço melhora e fica mais barato.