A identificação dessa doença é complexa e requer uma diversidade de exames
Professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma ferramenta, que utiliza a Inteligência Artificial (IA), capaz de auxiliar médicos oftalmologistas no diagnóstico do glaucoma. A identificação dessa doença é complexa e requer uma diversidade de exames. Trata-se de uma patologia assintomática em seu estágio inicial. Segundo o professor Edson Gomi, membro do IEEE (The Institute of Electrical and Electronics Engineers), maior organização profissional dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, os novos algoritmos garantem maior precisão no diagnóstico e tratamento dessa doença ocular, que provoca lesões no nervo ótico e pode levar à cegueira. O projeto foi desenvolvido por meio do método de aprendizagem de máquina, no qual o sistema é alimentado com dados fornecidos pelos exames de pacientes com suspeita da doença. Após processar todas as informações, o algoritmo avalia se o paciente possui ou não glaucoma. Chefe do setor de Glaucoma da Unicamp, o professor Vital Costa informa que o software é alimentado com dados clínicos, ou seja, as características de alguém que têm ou não glaucoma. Em seguida, o algoritmo apresenta uma avaliação positiva ou negativa, com parâmetros estabelecidos pelo médico. Ainda segundo Gomi, o algoritmo procura reduzir possíveis erros nos diagnósticos a partir da avaliação dos exames de campo visual e de tomografia de coerência óptica. Ele verifica a espessura da fibra nervosa óptica e revela se o caso é glaucoma ou não. Gomi também ressalta que o uso do algoritmo permitirá processos de diagnóstico mais eficazes, pois mais pessoas serão diagnosticadas e atendidas em menos tempo. De acordo com alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente. No Brasil, esse número chega a cerca de 40 mil pessoas, e 33% dos pacientes que buscam tratamento para a doença estão em estágio avançado. Estatística Um estudo realizado em 2017, pelo médico Leôncio S. Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier de Campinas, especializado em doenças de olhos, com 184 portadores de glaucoma mostra que 20% dos pacientes não fazem o tratamento corretamente e 20% interrompem o uso dos colírios por causa do alto custo. Nesse grupo, que não fez o tratamento correto, 52% desperdiçou colírio pingando mais que uma gota ou não pingando corretamente, 24% instilou o colírio fora da mucosa ocular, 13% se esqueceu de usar e 11% usou de forma descontínua por causa dos efeitos adversos.