Movimento aconteceu pelo déficit de funcionários no hospital; 65 cirurgias foram suspensas
Após negociação com a Prefeitura, os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti decidiram em assembleia no início desta tarde suspender o movimento de não realização de horas extras. O objetivo do movimento era chamar a atenção para o déficit de funcionários no hospital e mostrar que grande parte do trabalho é realizado com base na realização de horas extras. Ao todo, a decisão de não trabalhar após a jornada durou 11 dias e o atendimento do hospital foi visivelmente afetado. O balanço foi de ao menos 65 cirurgias efetivas suspensas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas, durante a reunião com os secretários de Recursos Humanos e de Saúde, foi apresentada a necessidade de contratação imediata de trabalhadores. “Foi aberta a mesa de negociação e a pauta principal foi a reposição do déficit de funcionários. Mostramos que para hoje, o déficit mínimo do Mário Gatti é de 40 enfermeiros e 116 técnicos. O secretário sinalizou que está de acordo chamar esse pessoal o mais rápido possível”, disse Rodolfo Fais, um dos diretores do sindicato. De acordo com ele, o gasto com o Mário Gatti era de 20 mil horas extras. “A proposta da Prefeitura é chamar imediatamente para minimizar esse gasto com horas extras. Já existem dois concursos feitos e que estão em vigência, para enfermeiro e técnico, e foi explicado que existe a questão burocrática para convocação e posse de cargo, o que deve levar cerca de 45 dias”. Com a promessa de contratação, em assembleia os trabalhadores decidiram voltar a realizar horas extras quando necessário.“O governo garantiu que vai cumprir o acordo. Vamos monitorar e se as contratações não forem feitas nós vamos retomar o movimento”, afirmou. Fais também explicou que a partir de agora os funcionários não vão ultrapassar o teto legal para a realização de horas extras. “Os funcionários trabalham 36 horas semanais. Quando há necessidade a lei permite realizar duas horas extras. Em casos extremos é possível fazer até quatro horas extras por jornada, o que somando tudo dá 60 horas. Quem faz acima disso está ilegal e, por falta de funcionários, alguns trabalhadores vinham se submetendo a essa prática. O secretário de Recursos Humanos se comprometeu a não deixar mais ultrapassar esse teto”, disse. Uma assembleia para avaliar os encaminhamentos da demanda já ficou marcada para o próximo dia 16 de dezembro, às 12h. A Prefeitura foi procurada para comentar o acordo, mas até o momento não houve retorno. Veja também Cirurgias no Mário Gatti continuam suspensas Enfermeiros decidem manter protesto contra falta de funcionários; 40 operações já foram canceladas Funcionários do Mário Gatti mantêm protesto Funcionários suspenderam a realização de horas extras para forçar contratação de mais pessoal 'Operação padrão' trava Mário Gatti Profissionais da enfermagem decidiram suspender horas extras; 17 cirurgias foram canceladas