Hospital da PUC-Campinas aguarda posicionamento para seguir com recrutamento de voluntários

Morte de médico não suspende os testes de Oxford (IStock/Banco de Imagens)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi comunicada pela Johnson & Johnson sobre a interrupção temporária do estudo clínico que investiga a segurança e eficácia de sua vacina contra a Covid-19, a vac31518cov3001. De acordo com o comunicado, "o estudo foi temporariamente interrompido devido a um evento adverso grave ocorrido em um voluntário no Exterior". O Hospital PUC-Campinas, um dos centros de pesquisa da vacina no Brasil, aguarda a posição da farmacêutica para dar andamento ao estudo. O Hospital PUC-Campinas mantém em seu site o link para cadastramento de voluntários para os testes da fase 3 da vacina produzida pela Janssen. Porém, informou que aguarda novo posicionamento do laboratório para seguir com o processo de seleção. Mais de dois mil voluntários preencheram o formulário de inscrição para os testes. O hospital ainda está avaliando os candidatos para escolher mil voluntários. A Janssen não detalhou o caso, uma vez que o estado de saúde do voluntário está sob sigilo. Segundo a Anvisa, o estudo continuará interrompido até que haja investigação de causalidade por parte do Comitê Independente de Segurança, como parte dos procedimentos de boas práticas clínicas. "No Brasil, a inclusão do primeiro voluntário no estudo ocorreu em 9 de outubro e novas inclusões só poderão ocorrer quando houver autorização da Anvisa, que procederá com a análise dos dados da investigação e decidirá pela continuidade ou interrupção permanente, baseada nos dados de segurança e avaliação risco/benefício", diz a nota da Anvisa. Também por meio de nota, a Johnson & Johnson disse que está seguindo suas diretrizes e que a doença do participante "está sendo analisada e avaliada pelo Conselho de Monitoramento de Segurança de Dados Independente, bem como por nossos médicos clínicos e de segurança internos". A empresa diz ainda que a privacidade do paciente deve ser respeitada e que, como ainda está aprendendo mais sobre a doença deste participante, é importante ter todos os fatos antes de compartilhar informações adicionais. Em setembro, a empresa anunciou que começaria a terceira etapa de testes em todo o mundo, com 60 mil voluntários. No Brasil, segundo a Anvisa, são 7 mil participantes. Em 29 de setembro, resultados preliminares e parciais apontaram que a vacina era segura e induzia resposta imune mesmo após uma única aplicação. Os resultados eram referentes a uma parte dos participantes das fases 1 e 2, que foram conduzidas de forma conjunta. Os testes da vacina no Brasil foram autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 18 de agosto e aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. A suspensão da vacina da Johnson ocorre cerca de um mês depois de a AstraZeneca também suspender testes clínicos de sua vacina experimental contra coronavírus, que usa uma tecnologia semelhante, devido ao adoecimento de um participante. Embora os testes da AstraZeneca no Reino Unido, Brasil, África do Sul e Índia tenham recomeçado desde então, após se confirmar que a doença do paciente não tinha relação com o medicamento, seu teste nos Estados Unidos ainda está suspenso à espera de uma análise regulatória. Expectativa Além desta vacina da Janssen Pharmaceuticals, existem outras três sendo testadas em última fase (a terceira) no Brasil, aprovadas pela Anvisa: a de Oxford (inglesa); a da Sinovac Coronavac (chinesa); e a vacina da BioNTech/Pfizer (alemã/norte-americana). (Com agências) Brasil mantém conversas com nove laboratórios O Brasil mantém tratativas com nove laboratórios ou centros de pesquisa atuando em estudos e no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Com os responsáveis pelas vacinas Oxford e Astrazeneca e do consórcio da OMS Covax Facility, já foram celebrados acordos para a aquisição de 140 milhões de doses no primeiro semestre de 2021, que serão disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunização. As nove iniciativas de pesquisa são: Oxford/Astrazeneca (Reino Unido), Sinovac/Butantan (China), Pfizer (Estados Unidos e Alemanha), Sinopharm (China), Sputinik5 (Rússia), Covaxx e Novavax (Estados Unidos), Janssen (Bélgica) e Merck (Estados Unidos, França e Áustria). Cidade tem mais de 35 mil infectados As mortes por Covid-19 em Campinas alcançaram ontem a marca de 1.270, com duas novas vítimas fatais. Outros 621 novos casos da doença foram confirmados, somando 35.130. A cidade ainda tem 295 pessoas internadas com a doença, enquanto 95 estão em isolamento domiciliar. No total, 33.467 pacientes já se recuperaram da doença. Um homem de 67 anos, que tinha outras doenças e morreu no dia 8 de outubro em hospital privado, foi uma das vítimas anunciadas ontem. A outra é uma mulher, de 68 anos, que também apresentava doenças associadas e faleceu dia 8 de outubro em hospital público. Ontem, Campinas estava com 202 leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid-19 nas redes pública e particular. Deste total, 135 estão ocupados, o que corresponde a 66,83%. Há 67 leitos livres somando as redes pública e particular.