DIA DO TRABALHO

Tradicional celebração na Catedral fica lotada

D. Airton afirmou que os trabalhadores vivem momentos de terror

Alison Ramalho Negrinho
02/05/2018 às 07:34.
Atualizado em 22/04/2022 às 03:58
Cartazes e faixas de protesto cobriram degraus do altar durante a celebração da missa por d. Airton (Lizandra Perobelli/AAN)

Cartazes e faixas de protesto cobriram degraus do altar durante a celebração da missa por d. Airton (Lizandra Perobelli/AAN)

Como não poderia deixar de ser no Dia do Trabalhador, a tradicional missa realizada na igreja Catedral Metropolitana de Campinas teve como tema as dificuldades da população na atualidade diante das mudanças nas leis trabalhistas. Utilizando passagens da Bíblia ou ressaltando as recentes alterações, o celebrante, dom Airton José dos Santos, demostrou solidariedade. "Quero manifestar minha proximidade espiritual com os trabalhadores que nestes dias vivem momentos de terror diante das ameaças contra suas dignidades. Dignidade que se expressa nos direitos já adquiridos e que correm riscos diante de reformas que contrariam os princípios do bem comum. O trabalho não pode ser governado por uma economia voltada exclusivamente para o lucro, sacrificando a vida e o direito dos trabalhadores. Por vivermos um período de crise, esta mensagem ressalta um aspecto importante", disse. Com uma igreja lotada, quem chegou atrasado à celebração teve dificuldades para encontrar lugar para se sentar. As soluções arranjadas foram as mais diversas, como ficar em pé ao fundo durante todo o tempo, ocupar os degraus laterais e até mesmo pedir um espaço no banco de pessoas desconhecidas. A missa ainda ficou marcada pela entrada de faixas com dizeres sobre o Dia do Trabalhador, como ‘Defender o trabalho é garantir a vida’, além de pessoas com capacetes de proteção para operários com a carteira de trabalho e ferramentas nas mãos. As leituras durante a missa também fizeram referência aos trabalhadores. "Queremos agradecer e celebrar nossas lutas pela construção de um mundo melhor. Olhando a realidade, os últimos anos têm sido de claro retrocesso no que diz respeito aos direitos e dignidade", disse uma. "Nos deparamos com uma série de derrotas que nos jogam de volta ao século 19", afirmou outra. Alegria e preocupação Quem compareceu à missa expressou dois sentimentos: o de alegria por conta da celebração, e o de preocupação diante da situação dos trabalhadores espalhados ao redor do País. "É sempre bom vir até a igreja e ouvir o que o padre tem para dizer. Voltamos cheio de paz para a casa e com ensinamentos novos. Mas, ao mesmo tempo, as palavras do d. Airton hoje nos fazem ver a dura realidade que os trabalhadores estão encarando. Isso me entristece muito, acredito que não é o caminho correto e que deveria ser pensado um pouco mais no lado do ser humano", afirmou Eugênia Mattoso Campos, de 73 anos. O aposentado José Antônio Pires Martins, de 69 anos, por sua vez, fez críticas ao atual governo. "Eles estão fazendo mudanças que prejudicam muito a vida das pessoas de bem, daquelas que acordam cedo para trabalhar e lutam para sustentar suas famílias. Espero, do fundo do meu coração, que um dia se arrependam", comentou.

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