
Estudantes da Unicamp mantêm movimento e ocupam o prédio do Ciclo Básico: Promotoria afirma que tem de ouvir todas as partes envolvidas antes de tomar qualquer providência (Dominique Torquato/AAN)
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem até a próxima semana para apresentar ao Ministério Público (MP) as providências que estão sendo adotadas para resolver os conflitos causados pelas greves na instituição. Segundo a Promotoria, o órgão foi provocado pelo professor Guido Araújo, do Instituto de Computação, que ingressou com uma representação se queixando da impossibilidade de dar aula e cobrando providências. Esta semana, o juiz Guilherme Fernandes Cruz Humberto, da 9ª Vara Cível de Campinas, pediu ao MP que acompanhasse o conflito, após ação movida pelo professor Serguei Popov. A representação está nas mãos do promotor Angelo Carvalhaes, que já expediu ofícios para a Unicamp esta semana pedindo informações e deu à universidade um prazo de dez dias para responder. O prazo, segundo o MP, vence na semana que vem. O professor teria reclamado que está se sentindo constrangido, que não consegue dar aula, e pede apuração do por que a Unicamp não está tomando providências. A Promotoria afirmou que tem que ouvir as partes antes de tomar qualquer providência e que questionou a Unicamp das medidas adotados sobre a greve e qual a situação atual no campus. A reportagem não conseguiu contato com o professor Guido Araújo. A reitoria da Unicamp foi procurada e voltou a dizer que “a Administração Central compartilha da preocupação manifestada pela comunidade universitária em relação aos excessos cometidos e vem adotando medidas tanto em âmbito institucional quanto judicial”. Disse que o principal objetivo é assegurar, o mais breve possível, a normalização das atividades da universidade, de modo a garantir que todos — docentes, funcionários e estudantes — sejam respeitados e possam desempenhar plenamente seus papéis dentro da comunidade universitária. Popov Sobre a ação judicial em que o juiz Guilherme Fernandes Cruz Humberto pede o acompanhamento da crise pela Promotoria, a assessoria do Ministério Público informou que o ofício ainda não chegou à secretaria do órgão. A expectativa é que isso ocorra ainda hoje, e o caso também deve ser acompanhado pelo promotor Angelo Carvalhaes. A decisão judicial faz parte de uma ação movida pelo professor Serguei Popov, do Instituto de Matemática, contra o Diretório Central dos Estudantes (DCE-Unicamp) e um grupo de sete alunos que aparecem em um vídeo interrompendo a aula do professor. Nessa mesma ação, o juiz também determina que os réus (DCE e alunos) providenciem a retirada de “qualquer comentário jocoso, pejorativo ou denegridor” referentes ao professor e que cessem o uso de sua imagem em um prazo de 24 horas sob pena de multa de R$ 1 mil por ato praticado. De acordo com o advogado Affonso Pinheiro, que representa Popov, além da ação de obrigação de fazer e de não fazer, serão ajuizados também uma ação indenizatória por danos morais e um pedido de instauração de inquérito policial, na defesa dos interesses do professor. Negociações Estudantes e diretores dos institutos da Unicamp iniciaram uma negociação sobre a pauta das punições dos alunos grevistas. No início da semana, eles entregaram uma contraproposta em que previam os casos em que pode haver punições e buscavam garantias de que elas não seriam aplicadas de maneira injusta, de forma política e de que não levariam à evasão dos estudantes da universidade. De acordo com estudantes que integram a comissão de comunicação do movimento, a contraproposta foi recusada. A decisão, então, foi pela manutenção da greve que deve ter os próximos passos definidos em assembleia marcada para o começo da próxima semana. A greve dos servidores segue, com intensificação da mobilização na área da Saúde. A próxima assembleia está marcada para o dia 4 de agosto.