DENÚNCIA

Vice-diretor de creche é inocentado

Depois do MP arquivar o caso, Prefeitura também conclui pela inocência

Alenita Ramirez
alenita.jesus@rac.com.br
12/08/2020 às 10:05.
Atualizado em 28/03/2022 às 19:03

A Prefeitura de Campinas declarou inocente o ex-vice-diretor do Centro de Educação Infantil (Divulgação)

A Prefeitura de Campinas declarou inocente o ex-vice-diretor do Centro de Educação Infantil (CEI) Maria Beatriz Carvalho Moreira, na Vila Georgina, acusado de estupro de vulnerável, em abril de 2016. A decisão foi publicada pela Administração no dia 1° de julho. O Ministério Público (MP) também já havia arquivado o caso, denunciado pela mãe da criança. Na época das acusações, o servidor público precisou ser escoltado pela Guarda Municipal (GM), uma vez que amigos da mãe da criança haviam cercado a creche em busca de vingança. “Eu quase fui morto. Se não fosse a guarda, não sei o que teria sido de mim. Minha vida e a da minha família foi destruída por causa de boatos no WhatsApp e agora tento recomeçar tudo de novo”, disse o ex-vice-diretor, que não pretende voltar à creche. De acordo com decisão do MP, a investigação foi arquivada por não ter constatado “nem autoria nem materialidade do fato”. Na época, a mãe de um menino de 3 anos, uma manicure de 21 anos, acusou o vice-diretor da creche como suposto agressor. A Secretaria Municipal de Educação chegou a afastar o servidor por 120 dias e ele passou a responder inquérito policial. “Fui obrigado a pagar R$ 25 mil de advogado para me defender. Eu e minha família fomos ameaçados. Queriam incendiar minha casa. Tive que fugir às pressas. Mudei três vezes de endereço por causa de ameaças. E tive depressão. Tudo o que sempre quis foi provar minha inocência e esquecer tudo”, comentou o servidor. As acusações contra o ex-diretor começaram depois que a cuidadora do aluno informou à mãe “para que ela não se assustasse caso observasse manchas de sangue na cueca do filho”, uma vez que ele havia ido ao banheiro e as fezes estavam com sangue. Em casa, a mãe questionou a criança, que teria dito que o “tio da escola” teria mexido em seu bumbum. O vice-diretor era o único homem que trabalhava na escola. Os pais levaram a criança no Hospital Mário Gatti e antes de sair o laudo, eles foram na creche pedir explicações para o diretor. Os moradores do bairro se ajuntaram ao casal. Eles chegaram a arremessar bombas caseiras na escola e atacaram a viatura da GM. Dias depois, saiu o laudo médico, que foi inconclusivo. O caso foi registrado na Polícia Civil e em depoimento, os funcionários da creche afirmaram que não havia nada que depreciasse a conduta do vice-diretor e que nenhum aluno permanecia sem a companhia da professora ou monitora. O processo durou um ano e meio e foi arquivado. “Tudo começou com um boato e por pouco não fui morto. Querendo ou não, a gente tem sempre uma pessoa semelhante a nós. Temo hoje por outras pessoas. Gostaria de deixar claro que fui inocentado e que tento voltar a ter uma vida normal”, frisou.

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