CAMPINAS

Canteiro central de avenida se transformará em ciclovia

Plano prevê o repasse do domínio e uso de solo para a Emdec, que fará sua comercialização

Inaê Miranda
05/06/2013 às 05:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 13:28

O Plano Cicloviário de Campinas, apresentado ontem pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), prevê a construção de 100 km de ciclovias na cidade até 2016. A primeira intervenção será transformar a ciclofaixa Norte-Sul/Taquaral em uma ciclovia permanente, passando pelo canteiro central da avenida. O investimento neste trajeto será de R$ 2,5 milhões, mas a economia em relação ao custo das ciclofaixas da Norte-Sul e Ouro Verde será de R$ 450 mil por ano.

Além da obra, o plano prevê transferir a gestão e domínio do solo usado no sistema de trânsito e transporte da Serviços Técnicos Gerais (Setec) para a Emdec, que irá comercializar os espaços publicitários como fonte de receita.

O mobiliário urbano reivindicado pela Emdec para comercialização de espaços publicitários inclui ruas, terminais e pontos de ônibus, estações de transferência e sinaleiros. Para que haja a transferência de gestão do solo será necessária uma mudança legislativa. “Vamos precisar de investimentos e pretendemos ter o apoio da Câmara para alterar a legislação atual”, afirma o secretário de Transportes, Sérgio Benassi. “A Setec está distante da tratativa de lida diária desse trecho e do transporte. Enquanto isso, vivemos um drama diário e estamos precisando fortemente desse recurso”.

A medida vai permitir que a Emdec faça Parceria Pública Privada (PPP) com investidores para construção das ciclovias. “A implantação e manutenção da qualidade das ciclovias será feita por quem ganhar a licitação, pelos parceiros econômicos e com recursos da propaganda. Nós vamos dividir os custos do investimento”, explicou. Além disso, o recurso arrecadado será, futuramente, aproveitado como fonte de receita para financiamentos e investimentos no setor de transporte.

Regiões prioritárias

Quatro regiões da cidade já possuem projetos de estudo. O mais adiantado deles é a região da Norte-Sul e do Taquaral. A ciclovia vai ligar as avenidas Princesa D’Oeste, Norte-Sul, Lagoa do Taquaral e Praça Arautos da Paz. Além disso, o plano cicloviário para Barão Geraldo, Campo Grande e Ouro Verde está em estudo. O traçado dos dois últimos depende do andamento e implementação do ônibus rápido (BRT). Diferentemente da ciclofaixa do Centro e do Ouro Verde, já implantadas, todas as ciclovias e ciclofaixas previstas serão de uso contínuo, e não somente aos domingos e feriados. Elas devem passar por canteiros centrais das avenidas e em vias separadas do trânsito.

A Emdec também pretende integrar as ciclovias ao sistema de transporte, fazendo com que as bicicletas sirvam como veículos alimentadores. “Queremos criar a cultura da bicicleta como meio de transporte e chegar num ponto onde a bicicleta se integre ao sistema de transporte. Para isso, é preciso que as ciclovias tenham uma base física que dê segurança para o usuário e propicie convívio harmonioso com outros modais”.

Os bicicletários também serão ampliados para diversas áreas do município. A proposta é fazer uma nova contratação para o sistema de aluguel de bicicletas, com algumas alterações no sistema atual do Viva Bike. O contrato com a FGTV foi encerrado em março, mas a Emdec decidiu manter o serviço até a conclusão do novo processo de chamamento a ser efetuado nos próximos meses.

A transformação de ciclofaixas abertas apenas aos finais de semana em ciclovias permanentes deve reduzir os custos operacionais. Anualmente, as ciclofaixas de lazer da Norte-Sul e do Ouro Verde custam aos cofres do município cerca de R$ 450 mil, gastos realizados com funcionários, colocação de cones e uso de veículos. “Em dois anos, o custo operacional poderia ser aplicado na implantação de uma ciclovia permanente e segura para os ciclistas”, afirma o ciclista Eduardo Gomes, membro da Comissão de Trânsito e Transporte. O traçado atual foi feito por técnicos da Emdec com apoio de uma equipe de ciclistas, membros da subcomissão de transporte cicloviário.

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