
Por do sol no Parque Prado, em Campinas (Patrícia Penzin)
Quem gosta de observar o céu teve um presente especial neste final de semana em Campinas: um pôr do sol multicolorido. Além dos tradicionais tons de amarelo, um fenômeno raro coloriu o céu do sul do estado de São Paulo com tons de rosa, violeta e vermelho. O astrônomo Júlio Lobo, do Observatório Jean Nicolini, explica que a beleza presenciada pelos campineiros é um dos efeitos da erupção do vulcão chileno Calbuco, na última quarta-feira. As cinzas vulcânicas expelidas pelo Calbuco atravessaram o continente e, segundo informou o Climatempo, chegaram ao sul do estado de São Paulo no final de semana. Apesar de causar grandes danos e riscos à aviação, a pluma vulcânica que chegou ao Brasil não chegou a reduzir a visibilidade, nem o cancelamento de voos. “Por causa dessa pluma que o pôr do sol foi tão bonito e especial domingo”, explica.Atento observador do céu de Campinas, Lobo explica que as mudanças começaram aparecer na sexta-feira e ficaram mais intensas no domingo. “ Os finais de tarde ficaram diferentes. Na sexta já tinha percebido um leve tom rosa, mas no domingo foi algo mágico”, conta. A pluma vulcânica está na parte alta da atmosfera e, segundo o Climatempo, passa como se fosse uma camada de nuvens do tipo “cirrus” (aquelas nuvens finas que deixam o céu esbranquiçado). Ao invés de ficar branco, com a fuligem, o céu ficou rosado. O astrônomo lembra que essa não é a primeira vez que cinzas vulcânicas colorem o céu da cidade. Em 1992, a erupção do Pinatubo, nas Filipinas. “É um fenômeno raro, aconteceu em 1992, mas o de ontem (domingo) foi mais especial”, diz o astrônomo. PerigoA presença deste material na atmosfera pode causar problemas para a aviação. As partículas spodem entrar nas turbinas e provocar acidentes. Além disso, os pilotos que passam próximo desse tipo ocorrência são capazes de sentir um odor ácrido e a presença de descargas elétricas nos para-brisas que são conhecidas como fogo de santelmo. As cinzas vulcânicas podem causar danos às aeronaves e de se depositar a quilômetros de distância, dependendo da altura na qual o vulcão consegue expeli-la.