Suspeita da diretoria bugrina é que Gustavo Bastos, um dos que foram embora, esteja ligado à oposição
A má campanha na Série A2 do Campeonato Paulista e o iminente fracasso na busca pelo acesso fizeram as primeiras vítimas no Guarani. Nesta segunda-feira (24), a diretoria comunicou a dispensa de cinco jogadores do elenco. Estão fora dos planos o goleiro Douglas, os zagueiros Gustavo Bastos e Jorge Luiz, o meia Julinho e o atacante Andrey Nunes. As saídas ocorrem dois dias após a derrota do Bugre para o Catanduvense, que praticamente acabou com as chances do clube de conseguir uma vaga na elite no ano que vem. Dos cinco dispensados, três deles (Douglas, Gustavo Bastos e Jorge Luiz) tinha contrato até o final do ano, enquanto o vínculo dos outros dois ia até maio.Segundo o presidente Álvaro Negrão, a parte técnica e a queda brusca no rendimento da defesa foram o que determinou as dispensas. Mas há ainda outros fatores envolvidos. "A defesa era a melhor do campeonato com média de 0,86 e nos últimos três jogos tomou quase três gols por partida. É muito estranho. Nós vimos os gols, foram em falhas individuais e a postura de alguns jogadores passou a ser muito diferente da fala deles", destacou. "Tínhamos que tomar uma atitude e, dentro da parte técnica, tomamos a atitude de não contar mais com esses jogadores e já pensar na reformulação para a Série C."O caso do zagueiro Gustavo Bastos foi o que mais chamou a atenção. Negrão não admitiu com todas as letras, mas insinuou que o fato do jogador supostamente ser ligado a um empresário que está ao lado de Horley Senna — candidato da oposição nas eleições desta terça-feira (25) — interferiu no rendimento dentro de campo. "Ele veio para o Guarani por meio do Lucas Andrino, que é ligado ao Nenê Brito, um empresário ligado à oposição. Mais uma vez, a política interfere dentro de campo. É muito triste, lamentável as coisas se encaminharem nesse sentido. É a confirmação de que as pessoas estão querendo tomar o poder no Guarani a qualquer custo", revela o presidente.RESPOSTAEm contato com a reportagem do Correio Popular, o vice-presidente e candidato à presidência Horley Senna comentou as declarações de Negrão e negou qualquer envolvimento da oposição com o caso e com a postura de Gustavo Bastos. "Foi o Rogério Giardini (diretor de futebol) que tomou a frente na negociação e fechou com o jogador. Ele não está com a gente", disse. "É desespero da situação que está vendo a coisa se complicar e quer jogar a responsabilidade para alguém."SALÁRIO ATRASADOUm dos cinco dispensados pela diretoria do Guarani, o zagueiro Gustavo Bastos falou sobre sua saída e toda a repercussão que girou em torno de seu nome, principalmente por conta da disputa política envolvendo situação e oposição."Tem alguns comentários saindo, inclusive falando que eu estou com a oposição, mas eu estou longe de política. Quero deixar bem claro que vim por causa do Guarani. Estão me usando como bode expiatório", disse em entrevista à Rádio CBN.Gustavo Bastos também disse que os salários estão atrasados. "Não recebemos o mês de fevereiro." O presidente Álvaro Negrão negou atraso nos salários e garantiu que já havia feito um acordo para que os vencimentos referentes a março fossem pagos após as eleições."Todos os salários estão pagos. Expliquei aos jogadores que teríamos a eleição, mas dentro do mês seria pago isso. Eles concordaram e em nenhum momento alguém questionou. Então, o que ele (Gustavo) falou, a gente tem que suspeitar."