Comerciantes exigem mais empenho do poder público no combate à gangues da marcha a ré
A modalidade de crime que tem sido praticada na região de Campinas, em que os bandidos usam carros para arrombar portas e assaltar lojas, leva o comércio a exigir do poder público medidas emergenciais de combate às chamadas “gangues da marcha a ré”.
Nada menos que 22 boletins de ocorrência foram registrados neste ano na Região Metropolitana de Campinas (RMC). E, apesar da já anunciada prisão de criminosos, os assaltos continuam ocorrendo. Diversos bandos adotam o método.
Na madrugada de sexta-feira (31), por exemplo, a “gangue da marcha a ré” arrebentou a porta do Magazine Luiza da Avenida das Amoreiras, em Campinas, por volta das 5h, e fugiu levando aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos.
A presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Adriana Flosi, afirmou na sexta-feira (31) que os empresários do setor exigem ações eficientes da polícia. O governo municipal também é cobrado.
Segundo Adriana, policiais reclamam que diversas câmeras da Central de Monitoramento de Campinas (Cimcamp) estão quebradas, e não capturam imagens que possam identificar criminosos ou agilizar as operações ostensivas de combate. “A reclamação é que a Prefeitura não faz manutenção das câmeras. Elas não servem para nada”, disse.
Outra medida anunciada pela Acic é uma reunião solicitada com representantes da Secretaria de Cidadania, Assistência e Inclusão Social para que o governo municipal tenha maior controle sobre o número de moradores de rua, outra antiga preocupação do comércio.
A valorização da área comercial e a ação eficiente dos policiais, afirma, passam pela capacidade da Prefeitura em identificar e prestar assistência para quem vive pela região central.
Outro lado
A Prefeitura informou na sexta, pela assessoria de imprensa, que os equipamentos do sistema municipal de monitoramento serão integrados às câmeras das agências bancárias. Medida que, hipoteticamente, vai tornar mais eficiente o combate às gangues.
Com relação à suposta falta de manutenção apontada por Adriana, a Prefeitura informa que o serviço é comprovado por relatórios periódicos e que não existem denúncias sobre câmeras quebradas.
A reportagem procurou o comando das corporações policiais, mas ninguém foi encontrado para comentar as queixas da Acic sobre a ineficiência do combate às gangues.
Alternativas
A ação da gangue da marcha a ré em Nova Odessa levou comerciantes da cidade a instalarem barreiras físicas de concreto nas calçadas com o objetivo de impedir que os carros dos bandidos subam e arrebentem as portas dos estabelecimentos.
Outro recurso usado pela cidade vizinha foi a intensificação do monitoramento por câmeras. Ao todo, dez pontos estratégicos da cidade receberão os espiões. Serão 26 olhos eletrônicos, funcionando ininterruptamente. Em Campinas, alternativas também estão em estudo.
Diretores do Magazine Luiza e das Casas Bahia, alvos recentes de ações do bando, informaram, por meio de assessores, que as questões de segurança são assuntos sigilosos e que os novos sistemas de segurança não serão divulgados.