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Cozinha (in) tensa

O jogo: segunda temporada do MasterChef, reality show comandado por Ana Paula Padrão, começa nesta terça, mantendo a emoção e rigor técnico exigido dos competidores

Érica Araium
18/05/2015 às 15:46.
Atualizado em 23/04/2022 às 13:17
O programa liderou a audiência durante 5 minutos, quando teve um pico de 8 pontos na Grande São Paulo (Érica Araium/ AAN)

O programa liderou a audiência durante 5 minutos, quando teve um pico de 8 pontos na Grande São Paulo (Érica Araium/ AAN)

Érica Araium [email protected] Cozinha (in) tensaO jogo: segunda temporada do MasterChef, reality show comandado por Ana Paula Padrão, começa nesta terça, mantendo a emoção e rigor técnico exigido dos competidoresNos bastidores da Band, a segunda temporada da versão brasuca do MasterChef, reality show comandado por Ana Paula Padrão, já avançou à metade dos 17 episódios. A estreia será na próxima terça-feira, às 22h30. “O ritmo de produção é, sim, intenso”, atesta o diretor da atração, Patricio Diaz. Há casos em quem os chefs Erick Jacquin (Tartar&Co), Henrique Fogaça (Sal Gastronomia, Cão Véio e Admiral's Place) e Paola Carosella (Arturito e La Guapa) dedicam ao menos 10 horas às gravações, tal ocorreu na última terça-feira. Data em que, na sequência, a trupe continuou no estúdio de 600 metros quadrados da emissora para coletiva de imprensa e seguiu para uma livraria. Agenda? Prestigiar a vencedora da primeira temporada, Elisa Fernandes, no lançamento de seu livro de receitas, numa livraria de São Paulo. O sucesso da atração reverbera em números. Desta vez, houve mais de 10 mil inscritos (duas vezes o número de candidatos à primeira temporada), dos quais 400 foram convocados à “peneira” e 75 selecionados para o início das provas de fogo. Preparar um prato “identitário”/ cartão de visitas, uma delas, tal na primeira edição. Tais seletivas irão ao ar nos dois primeiros episódios do reality e, nos seguintes, o esforço de 18 cozinheiros amadores, das mais distintas origens e profissões, pelo título de segundo MasterChef do Brasil. Não houve mudanças significativas na dinâmica do programa, mas elevação do nível de exigência dos jurados por uma razão coerente. “O que percebemos é que as pessoas se animaram após acompanharem a primeira temporada e entraram na disputa por crerem no próprio talento. Se havia curiosos querendo aparecer e ganhar R$ 150 mil (mais carro, vale-compras, bolsa de estudos na Le Cordon Bleu, em Paris, e o troféu de MasterChef), agora há mais gente que demonstra ter uma cozinha mais elaborada em casa”, define Paola. Na pressão Entregar aqui o que virá seria spoillar à toa. Mas, saiba: até o porco de estimação de Jacquin tem participação no reality. As provas externas estão divertidas e tensas em igual proporção. Os desafios mais instigantes e curiosos que cortar quilos de cebolas de forma precisa. Depenar galinhas e matar pitus serão provas banais. Serviço para mais de uma centena de pessoas? Check. Todos os acentos da cozinha profissional e praças refletem na bancada desses pretensos cozinheiros.Os chefs convidados, que até funcionam como mentores, darão suas contribuições em provas específicas. Rodrigo Oliveira (Mocotó), Jefferson Rueda (Attimo) e Fabrice Lenud, mestre da pâtisserie (Douce France), por exemplo. “A novidade talvez seja a prova de pressão, rápida e onde os participantes terão de replicar uma receita com a máxima precisão possível”, observa Diaz. Foto: Carol Gherard/Divulgação Henrique Fogaça: "Há critério, não tem firula"   Nem tão íntimos “Os chefs só têm contato com eles durante as provas. Passam visitando e experimentando comida na bancada, só isso. E é do formato do programa que funcione assim”, define Ana Paula. “Sim, rola um carinho, claro. Mas seria pouco sério de nossa parte se o que dissesse mais fosse a intimidade. O que fala com a gente é a comida”, pontua Paola.   “Há critério, não tem firula. Elisa, a vencedora do MasterChef, evoluiu como mulher e profissional dentro do programa. O Mohamad (Hindi Neto), com aquele jeito fanfarrão dele, teve muita sorte em algumas provas e ele sabe disso. Não foi protegido, de forma alguma. O Lucio (Manosso) saiu por problemas de saúde e certamente teria evoluído. Tinha postura, eu gostava do jeito dele cozinhar. Dentro de uma cozinha real a exigência de um chef é altíssima e assim funciona no programa. Dou bronca quando precisa, ponho na linha”, garante Fogaça. Jornalismo “Padrão” MasterChef Ana Paula estreitará mais a ponte entre os jurados, participantes e espectadores pelo viés jornalístico que domina. “Tudo que acontece é muito verdadeiro. Depois de muita conversa com os diretores, decidimos que estarei mais próxima da vida privada, revelando os competidores. E, no set, creio que me encontrei. Estou mais à vontade no papel de apresentadora, função que não existe em todas as versões do MasterChef, aliás”, afirma.   Foto: Carol Gherard/Divulgação Erick Jacquin: "Cozinheiro tem que estar pronto para tudo" Quer ser cozinheiro? “Tenho cara de homem que faz comida vegetariana? Não! Mas no meu restaurante tem legumes à beça, é só pedir. Cada um na sua especialidade, com todo respeito. Agora, sujeito que não come carne ou isso e aquilo vem fazer o que aqui? Cozinheiro é cozinheiro, tem de estar pronto para tudo”, comenta Jacquin ao se recordar do candidato vegano da primeira temporada eliminado nas prévias. “Amo esse tipo de comida. Mas de que adiantaria mantê-lo numa competição deste porte se nas provas seguintes ele não conseguiria manipular e preparar carnes e ovos?”, pondera Paola. Sobre os modismos: “Eles aparecem, têm seu boom e declínio. Ter restaurante, hoje, é moda. E há restaurantes caríssimos por aí. Acontece que comida virou artigo de luxo e não pode ser, em nenhuma hipótese”, decreta Fogaça.Ingredientes no alvo Os restaurantes dos chefs estrela estão mais cheios, graças à popularidade do reality. Ok. Significa dizer que o grau de exigência/expectativa dos comensais/espectadores também se ampliou. E, com ele, o papel “educativo” dos cozinheiros. Afinal, o que é comer bem? Que valor dá-se aos ingredientes? “Nossa maior responsabilidade é dar protagonismo aos produtos e eu sou defensora dos ingredientes locais. Não defendo só o tucupi e o tacacá. Uma das coisas mais interessantes é que a gente pode mostrar às pessoas que um prato ‘padrão MasterChef’ pode ser feito com arroz e couve. Não precisa ter foie gras, vieira e carré de cordeiro. E, quando falamos de cozinha, falamos de sociedade, de recursos, de pessoas, de culturas etc. Por isso creio que as pessoas se interessem tanto por programas de gastronomia. Cozinheiro é uma profissão extremamente generosa, porque nos amplia a visão de mundo. Sem palavras, chega-se longe.”

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