Pressionado no cargo, técnico bugrino não gostou das cobranças públicas feitas pelo presidente

O técnico Ademir Fonseca comanda treino no Brinco: ameaçado (Camila Moreira/AAN)
Com 18 anos de carreira e passagens por 32 clubes diferentes, Ademir Fonseca sabe muito bem que o trabalho de um treinador só sobrevive graças a resultados. Mas a experiência também fez com que ele não engolisse a seco críticas que partem de cima. Pressionado no cargo por conta do início ruim do Guarani na Série C do Campeonato Brasileiro, o técnico não esconde o descontentamento por conta das cobranças públicas feitas pelo presidente Horley Senna. O comandante lembrou dos problemas do clube e avisou: "Se ele não está satisfeito, tem todo o direito de me demitir." A crítica do dirigente aconteceu logo após a derrota para o Londrina, na última segunda-feira (25). Durante entrevista, Senna disse que nenhuma comissão técnica fica num clube sem resultados. Para Fonseca, isso não surpreende. "Isso é normal do futebol. A justificativa do dirigente sempre é demitir o treinador quando não ganha. É uma justificativa para imprensa, para o torcedor. Nem sempre se avalia o trabalho, a qualidade ou os problemas do clube. O único responsável é sempre o treinador", falou nesta sexta-feira (29). Os comentários do presidente sobre as atuações de alguns jogadores — em especial os atacantes Arthur e Dennis, que não teriam correspondido às expectativa da diretoria — também não passaram batidos pelo ainda treinador bugrino. "Pelo jeito que está indo, nenhum jogador serve para o Guarani. O Arthur estreou, já não serve. O Dennis estreou, já não serve. Então, daqui a pouco vamos ter que procurar recursos financeiros para contratar Neymar e Messi para ver se serve no Guarani", ironizou Fonseca. Ciente de que uma derrota diante do Tupi, domingo (31), provavelmente abreviará sua passagem pelo clube, o treinador lembra que futebol é feito de momentos. "O futebol é uma roda gigante. Num dia você está por baixo e no outro pode estar lá em cima. Só nós podemos transformar esse momento. Nada resiste ao trabalho. E se não der certo aqui, vai dar certo em outro lugar."SEM ARREPENDIMENTOS Apesar dos acontecimentos recentes, Ademir Fonseca garante não ter se arrependido de aceitar permanecer no clube após o time não conseguir o acesso no Campeonato Paulista. "É lógico que eu sabia do risco. Aceitei o desafio e não me arrependo de nada que eu faço. A gente tem que tentar sempre. Infelizmente, o Guarani passa por um momento difícil, mas estou com a cabeça tranquila. Se não der certo, a gente agradece a oportunidade e segue nossa vida." ESCALAÇÃO O técnico Ademir Fonseca comandou nesta sexta um treinamento coletivo e praticamente confirmou a equipe que enfrenta o Tupi, domingo, no Brinco. Deverão ser até quatro mudanças em relação ao último jogo. Duas delas forçadas. Lenon vai entrar na vaga do suspenso Serginho, enquanto Oziel voltou a sentir uma lesão na parte posterior da coxa esquerda e, se vetado, dará lugar a Clementino. Assim, Watson seria deslocado para a lateral-direita. No ataque, Arthur e Dennis deixam o time e serão substituídos por Fernandinho e Malaquias.CORREÇÕES O treino desta sexta também serviu para correções na bola parada defensiva. Erro nesse fundamento acabou sendo fatal contra o Londrina. "Foram desatenções que tivemos e nos custaram um melhor resultado. Isso tem que acabar, pois quanto menos gols tomarmos, mais próximos da vitória ficamos", disse o zagueiro Gladstone.