CARLO CARCANI

De bom tamanho

Carlo Carcani
carlo@rac.com.br
15/06/2013 às 20:47.
Atualizado em 25/04/2022 às 13:14

A Seleção Brasileira fez uma estreia muito boa na Copa das Confederações. Não deu espetáculo, mas fez uma atuação segura, sem permitir em nenhum momento que o Japão se sentisse à vontade em campo. Com gols de Neymar, Paulinho e Jô, o Brasil fez 3 a 0 e comprovou, dentro de campo, seu favoritismo no Grupo A. Quando entrar em campo na quarta-feira, no Castelão, para enfrentar o México, a Seleção estará mais confiante, assim como a torcida. E isso será muito útil caso o México dê mais trabalho do que os japoneses. O time estava ansioso em virtude de resultados ruins nos amistosos e uma goleada como a deste sábado diminui essa pressão.

O jogo também foi importante para Neymar. De longe o melhor jogador do País, ele vinha sendo questionado por seu jejum de gols. Neymar, é importante citar, não vinha jogando mal. Estava no mesmo nível de seus companheiros, mas abaixo do nível Neymar. Contra a França, fez uma bela assistência para Hernanes e também participou de outros gols e boas jogadas em outras partidas. Mas não vinha sendo brilhante. Só por isso, foi questionado, vaiado e até responsabilizado pela fome no planeta.

Neymar marcou o primeiro gol da Copa das Confederações e abriu caminho para a vitória brasileira. Acertou um lindo chute de fora da área e encantou o público. Foi aplaudido e reagiu, dentro de campo, com a grandeza que todo ídolo esportivo deve ter. Em nenhum momento gesticulou para a torcida de forma desrespeitosa (ao contrário, por diversas vezes acenou e pediu aplausos para o público) e nas entrevistas não mandou recados aos críticos.

Ele simplesmente fez um gol muito bonito, deixou o jogo sob controle e mostrou, mais uma vez, que é um jogador diferenciado. Messi também fez várias atuações discretas pela Argentina e seria ridículo questionar seu enorme talento em virtude disso. Neymar é um craque, mas não vai carregar o Brasil nas costas, assim como Messi também não será campeão mundial se a Argentina não evoluir defensivamente.

O time todo rendeu bem. Daniel Alves e Marcelo tiveram intensa participação ofensiva, Luiz Gustavo e Paulinho (que já contabiliza 4 gols pela Seleção) fizeram boa proteção à poderosa dupla de zaga brasileira, Oscar e Fred participaram de lances de gol e Hulk lutou bastante, embora tenha errado alguns passes e cruzamentos. É um jogador aplicado, que tem um chute muito forte e que merece estar no grupo. Mas é muito inferior a Lucas, um jogador bem mais habilidoso e agressivo.

No gol, Julio Cesar fez uma defesa difícil, mas andou soltando algumas bolas que me fazem pensar no que pode acontecer diante de um adversário com maior poder de finalização.

Para a estreia, porém, ficou de bom tamanho. Vamos ver o que Itália e Espanha têm a mostrar nos jogos deste domingo.

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