GUTO SILVEIRA

Defesa dupla

27/09/2013 às 09:35.
Atualizado em 25/04/2022 às 01:47

O Sindicato dos Servidores Municipais chegou a uma encruzilhada construída por ele próprio. Em um momento de tensão entre funcionários públicos e Prefeitura, sente-se no dever de defender ora o funcionalismo, ora o patrão, representado pela Administração Municipal. Isso porque o partido ligado ao sindicato, o PCdoB, caminhou junto com a prefeita Dárcy Vera (PSD) em sua campanha à reeleição. Senão, vejamos. Na terça-feira, na Câmara Municipal, o presidente da entidade, Wagner Rodrigues, disse que a redução de jornada de servidores da saúde seria defendida com unhas e dentes. Já na quinta-feira, dois dias depois, fez um discurso pronto a induzir estes mesmos funcionários a aceitar o adiamento da redução. Usou argumentos legais e fez suposições do que poderia ocorrer. Incluindo aí possíveis decisões judiciais desfavoráveis ao funcionalismo, que poderá ter que voltar a cumprir 40 horas semanais, contra as 30 previstas para fevereiro do ano que vem. Os argumentos podem estar corretos e situações desagradáveis, como previsto, podem mesmo ocorrer. Não foi ouvido, entretanto. Praticamente todos os servidores contrariaram sua tese. E há que se reconhecer o esforço do sindicalista. Ele se empenhou em defender o que acreditava naquele momento. Mas o servidor, independente de a Administração estar acima do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não quer entender a situação. Dá de ombros porque sabe que o problema enfrentado não foi criado por ele. E ainda se sente traído por comemorar um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) que não sai do papel e por uma conquista que está escapando entre os dedos. E o sindicato e seus dirigentes pagam caro pelo apoio entregue durante a campanha eleitoral. Não era mesmo uma situação a render bons resultados. Quem teve olhos mais afiados percebeu antecipadamente. Servir a dois senhores não é tarefa das mais fáceis.IRRITAÇÃOO sindicato pode até estar certo de apontar que o enfrentamento neste momento não é o melhor caminho. Mas os servidores estão irritados. E muito. Uma servidora disse que a Administração Municipal dá com uma mão e tira com a outra. E denunciam que a Prefeitura está fazendo remanejamento de servidores com cargo em comissão justamente para escondê-los e evitar exonerações.TIRO ERRADOO convite para o advogado Feres Sabino depor na Comissão Especial de Estudos (CEE) que analisa a legalidade do repasse de recursos do Instituto de Previdência dos Municipiários (IPM) à Prefeitura não surtiu o resultado esperado. Integrante da Comissão, o vereador Walter Gomes (PR) sugeriu a ida dele à CEE para ouvir respostas confortadoras à Administração Municipal. Foi motivado por um artigo escrito pelo advogado e publicado no Jornal Tribuna.CAUTELOSOMas, diplomático e cauteloso, Feres Sabino disse apenas o que sabia. Analisou os aspectos legais de uma conjuntura. E ainda apontou que não tinha todas as informações. A legalidade, levou para o campo condicional. Desde que não prejudique terceiros. Fez o seu papel de homem público, colaborou, mas não se comprometeu. Agiu como agiria qualquer pessoa que tem responsabilidade e compromisso com os fatos. E não inocentou totalmente o ato, como poderia estar esperando o vereador governista.GLÁUCIA TAMBÉMPor este espaço, na coluna disponibilizada nesta quinta-feira (26), foi cometida uma injustiça. Ao afirmar que os vereadores André Luiz da Silva (PCdoB) e Ricardo Silva (PDT) participaram de audiência pública da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, por puro interesse parlamentar, sem ser membros do grupo, a vereadora Gláucia Berenice (PSDB) não foi citada, por mera confusão de nomes de integrantes. Também presente, ela não pertence à Comissão. A tucana, aliás, tem tido ações de comprometimento com a fiscalização, incluindo a convocação de secretários para explicações na Câmara.REINTEGRAÇÃO SUSPENSAA Justiça de Serrana suspendeu, no início da noite desta quinta-feira (26), o mandado de reintegração de posse contra acampados do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Fazenda Martinópolis, em Serrana. A reintegração aconteceria na madrugada desta sexta-feira (27), com o apoio de 150 homens da Polícia Militar e da Tropa de Choque. A decisão, por tempo indeterminado, acolheu pedido dos líderes do movimento.

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