O governo garante que as condições de balneabilidade das águas estão seguras para os atletas, mas a despoluição da Baía de Guanabara ficou só na promessa

Começam hoje (8) as provas olímpicas de vela, com as primeiras regatas das classes Laser e RS:X masculinas previstas para as 13h05. Ao todo, serão 11 dias de provas, com 120 regatas divididas em cinco categorias masculinas, quatro femininas e uma mista. As competições ocorrem na Marina da Glória, em quatro áreas dentro da Baía de Guanabara e três fora dela.O governo do estado garante que as condições de balneabilidade das águas estão seguras para os atletas, mas a esperada despoluição da Baía de Guanabara ficou só na promessa. Na apresentação do projeto olímpico como cidade candidata aos jogos, o Rio de Janeiro prometeu despoluir 80% do corpo d'água, o que seria feito com o saneamento e tratamento do esgoto doméstico dos municípios ao redor da baía e que ainda despejam a carga orgânica diretamente nas águas dos rios que deságuam na região.Apesar dos avanços, o problema ainda é grande. O governo do estado afirma que o saneamento na área passou de 12% em 2005 para 50% atualmente. Porém, ambientalistas e pesquisadores questionam os números. Integrante do movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo afirma que o governo considera como tratado o esgoto que, na verdade, é lançado em mar aberto pelo emissário submarino de Ipanema, que tem cerca de 4 quilômetros de extensão.“O ministro do Esporte [Leonardo Picciani] disse esses dias que trata 55%, o relatório enviado ao COI [Comitê Olímpico Internacional] pelo comitê organizador afirma que a gente passou de 10% para 50%. Isso não é verdade, pesquisadores da Uerj [Universidade do Estado do Rio de Janeiro] mostram que não tratam nem 20%. A Cedae e o governo do estado colocaram no relatório do COI que toda a zona sul tem tratamento de esgoto, o que não é verdade. Tem o emissário marinho, não existe nenhuma estação de tratamento de esgoto. O que tem hoje atinge algo em torno de 18%”.Propaganda enganosaO ambientalista Sergio Ricardo diz que a promessa olímpica foi propaganda enganosa. “Quando o governo assumiu esse compromisso de despoluir 80% da Baía de Guanabara, nós alertamos que isso era uma propaganda enganosa, absolutamente irreal, e o COI foi irresponsável ao aceitar essa meta estimada pelas autoridades, sem ter um mínimo de crítica. Se o COI tivesse ouvido o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], veria que isso é uma propaganda enganosa, com o próprio BID dizendo que o resultado do PDBG [Programa de Despoluição da Baía de Guanabara] era insatisfatório, insuficiente e que nenhuma meta ambiental foi cumprida”.O PDBG teve financiamento do BID e do Japan Bank for Internacional Cooperation (JBIC). Foram investidos US$ 800 milhões em 15 anos, entre 1991 e 2006, sendo construídas quatro estações de tratamento de esgoto, mas os troncos coletores para levar os efluentes até lá não foram concluídos até hoje. O secretário estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, admitiu que a promessa era ambiciosa e que a despoluição custaria R$ 20 bilhões e levaria 25 anos. “Qualquer pessoa que disser que essa baía estará em condições ambientalmente adequadas em menos de 25 ou 30 anos está mentindo. Não vamos fazer isso no curto prazo”, disse em evento sobre as medidas tomadas para a Olimpíada no dia 20 de julho.