A presidente disse que a prioridade é aprovar as medidas da área econômica antes de discutir ministério, e anunciou que haverá contingenciamento no orçamento

A presidente Dilma Rousseff (Pedro Ladeira/ AFP)
A presidente Dilma Rousseff (PT) disse nesta sexta-feira (20) que, antes de discutir mudança em ministérios, é preciso aprovar o ajuste fiscal apresentado por sua equipe econômica. Em entrevista coletiva em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), onde participou da 12ª Abertura da Colheita do Arroz Ecológico, ao ser questionada se faria reforma ministerial, a presidente respondeu que a prioridade são as medidas voltadas à economia."Não quero falar disso [reforma ministerial]. Precisamos aprovar o ajuste e, a partir disso, outras medidas serão tomadas", afirmou após participar da inauguração de uma unidade de secagem e armazenagem de grãos em um assentamento do MST. Segundo ela, outra prioridade do Executivo no momento é fazer um contingenciamento "expressivo" no orçamento tão logo o projeto de lei orçamentária seja sancionado.Dilma insistiu na defesa do ajuste fiscal e voltou algumas vezes ao assunto durante a breve coletiva. "O ajuste é feito justamente para garantir continuidade no consumo e no crescimento. É pré-requisito e por isso fazemos questão que seja aprovado", falou. As propostas encontraram resistências de partidos da base e da oposição. Nesta semana, ministros da equipe econômica reuniram-se com bancadas petistas para explicar a proposta em busca de apoio no Congresso.Segundo Dilma, a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 só será cumprida com as medidas que foram encaminhadas ao Congresso Nacional e o contingenciamento que o Executivo pretende fazer "o mais rápido possível". Ela, no entanto, não adiantou quando isso ocorreria concretamente, nem qual seria a dimensão do corte. "É imprescindível para o conjunto da nação a aprovação do nosso ajuste fiscal. Quanto mais rápido isso for feito, mais rápido o governo, a sociedade e a economia sairão de uma situação de maior restrição", considerou.Dilma minimizou o cenário de crise ao afirmar que o Brasil tem reservas substantivas e uma situação estável, além de uma relação da dívida sobre o PIB pequena na comparação com o resto do mundo. "Temos relação extremamente sóbria entre gasto com folha e orçamento. Não temos descontrole na folha de pagamento", falou. Segundo ela, as flutuações no cenário internacional hoje afetam o País, mas antes, no passado, o quebrariam.Ela também afirmou que as pessoas precisam lembrar que, com dois meses e meio de novo governo, há uma série de programas em andamento. Neste momento, citou o bem-sucedido leilão da ponte Rio-Niterói.A presidente reconheceu que o País sofre de fato um desequilíbrio fiscal e justificou o ajuste repetindo o que já havia relatado no discurso, durante o evento, que o poder público absorveu muitas coisas nos últimos anos para que a crise internacional não atingisse a população. De acordo com a presidente, agora que o governo não tem mais condições de absorver tudo, alguns pontos precisam ser "revisados"."Nós fizemos desonerações muito significativas. Esta da folha salarial, sozinha, equivale a R$ 25 bilhões. O que estamos fazendo não é acabar com os R$ 25 bilhões, estamos reduzindo para R$ 12 bilhões.Ela também admitiu que o governo está fazendo correções em programas sociais. "No ano passado, tiramos 1,3 milhão de famílias do Bolsa Família porque mecanismos de auditoria indicavam que pessoas tinham saído do limite da renda. Enquanto as pessoas que não estavam enquadradas passaram a se enquadrar: saíram 1,3 milhão e entraram 750 mil".Dilma ainda revelou que o governo pretende rever o seguro-defeso. "Somos a favor do seguro-defeso para o pescador sim. Mas não é possível que o pescador que esteja no semiárido e receba seguro-defeso", avaliou.Bem-humorada, Dilma brincou com os repórteres em mais de uma ocasião e, ao se despedir, disse que iria embora porque o horário do almoço já tinha passado e ela estava fazendo dieta.Agricultura familiar Durante o discurso, Dilma defendeu a agricultura familiar e afirmou que a unidade de secagem e armazenagem de arroz da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), que foi inaugurada no evento em que estava, mostra que "é possível desenvolver agricultura familiar de alta qualidade". A presidente afirmou que o País tem uma política clara de fomento à agricultura familiar e se comprometeu a colocar o BNDES e o Banco do Brasil em projetos de financiamento à agroecologia. "Nós temos clareza da importância do crédito e da importância de os bancos públicos financiaram a agroindustrialização", disse. Dilma reconheceu que o governo precisa aperfeiçoar os mecanismos de comercialização. João Stédile, um dos líderes do MST, disse que era a favor que a Conab se transformasse em uma empresa pública de alimentos e parasse "de ser apenas instrumento do agronegócio". Tamanho do texto? A A A A
A presidente Dilma Rousseff reafirmou nesta sexta-feira, 20, que o ajuste fiscal do governo é "passageiro", mas reconheceu que o momento atual é tenso. "Nós temos vividos nos últimos dias e no último mês um momento bastante tenso no Brasil", afirmou, em discurso na 12ª Abertura da Colheita do Arroz Ecológico, em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre (RS). A presidente disse com "a mais absoluta sinceridade" que o governo nos últimos 6 anos tomou todas medidas para que crise não atingisse população.
Dilma afirmou que neste período o governo aumentou os subsídios, reduziu os juros e diminuiu o custo da energia no Brasil, mas que como "qualquer família" quando se passa por uma crise é preciso ajustar. "Não estamos pedindo para ninguém assumir toda a responsabilidade. Não temos como continuar absorvendo tudo, mas algumas coisas nós continuamos assumindo", afirmou, ressaltando que o governo manterá a desoneração da cesta básica.
Repetindo que o momento de dificuldade "é passageiro e conjuntural", a presidente afirmou que o Brasil é um país complexo e que as dificuldades só poderão ser superadas "se estivermos juntos". "Tem gente que aposta no quanto pior melhor. E não dá para apostar contra o País", afirmou.
Citando as reservas brasileiras de US$ 370 bilhões, Dilma afirmou que esse colchão de recursos reduz os impactos negativos dos movimentos do mercado internacional. "Por isso que eu falo: somos um país equilibrado no fundamental, na base, no cerne, no coração", disse. "O desequilíbrio é momentâneo."
Dilma disse que o governo não está fazendo ajuste por gostar de ajustar, mais porque o Brasil precisa continuar crescendo, que ajustar "é dar vida" e que o mais forte no convencimento das pessoas "é a realidade". "É importante aprovar ajustes. Aprovando ajuste saímos disso no curto prazo", disse.
Agricultura familiar
Durante o discurso, Dilma defendeu a agricultura familiar e afirmou que a unidade de secagem e armazenagem de arroz da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), que foi inaugurada no evento em que estava, mostra que "é possível desenvolver agricultura familiar de alta qualidade".
A presidente afirmou que o País tem uma política clara de fomento à agricultura familiar e se comprometeu a colocar o BNDES e o Banco do Brasil em projetos de financiamento à agroecologia. "Nós temos clareza da importância do crédito e da importância de os bancos públicos financiaram a agroindustrialização", disse.
Dilma reconheceu que o governo precisa aperfeiçoar os mecanismos de comercialização. João Stédile, um dos líderes do MST, disse que era a favor que a Conab se transformasse em uma empresa pública de alimentos e parasse "de ser apenas instrumento do agronegócio".
fonte: Estadão Conteudo