MÚSICA

Dois discos da Banda Sinfônica do Estado saem pela gravadora Kuarup

'Maxixe Urbano' e 'Sinfonia Latina' marcam a primeira parceria do grupo com uma gravadora

Marita Siqueira
21/02/2015 às 05:00.
Atualizado em 23/04/2022 às 19:02
Os integrantes da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo junto com o maestro Marcos Sadao Shirakawa (Gerardo Lazzarini)

Os integrantes da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo junto com o maestro Marcos Sadao Shirakawa (Gerardo Lazzarini)

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo começa 2015 com a maturidade dos 25 anos de história, completados em outubro de 2014, e o lançamento de dois discos: 'Maxixe Urbano' e 'Sinfonia Latina'. Os CDs saem pela Kuarup Music, configurando assim a primeira parceria do grupo com uma gravadora, que será responsável pela distribuição pelo País, o quê, naturalmente, aumenta o alcance das obras.   'Maxixe Urbano' foi gravado em 2014, sob a batuta do atual regente, o maestro Marcos Sadao Shirakawa. Já 'Sinfonia Latina' é um registro do ano de 2006, época em que o grupo era comandado pelo maestro Abel Rocha. “É de grande importância poder mostrar a produção da música brasileira, porque esse é um dos objetivos das bandas sinfônicas, poder apresentar novos compositores, novas músicas. Ou seja, contribuir para a literatura musical”, diz o Shirakawa, diretor-artístico de ambos os CDs.   Repertórios inéditos Segundo ele, que começou na banda como trombonista e foi maestro-assistente antes de assumir a regência em 2010, a literatura musical das bandas sinfônicas é muito menor do que a de uma orquestra sinfônica pelo pouco tempo de existência — menos de meio século —, por isso a grande valia dos registros fonográficos. “Temos, digamos assim, a obrigação de divulgar esses repertórios inéditos. O principal papel artístico da Banda Sinfônica é levar a música brasileira para o mundo, de forma original e criativa”, afirma. O disco 'Maxixe Urbano' é formado por composições de integrantes do conjunto, cujo repertório de sete músicas tem marcas da leitura mais contemporânea da musicalidade tradicional das bandas sinfônicas. “O título remete à faixa número três, de Fernando Oliveira. É uma música bem brasileira”, explica Shirakawa. Trata-se de uma mistura de elementos da polca, do tango, da habanera e do lundu, que virou o maxixe, ainda hoje um dos mais característicos ritmos brasileiros.   Sob encomenda “Peças para bandas sinfônicas são muito solicitadas em todo o mundo”, diz o maestro e ratifica Abel Rocha, que era o maestro-titular na época de gravação de Sinfonia Latina. De acordo com Rocha, as 12 peças do CD foram criadas sob encomenda para a Banda Sinfônica e estreadas por ela. Os autores — Wagner Tiso, Osvaldo Lacerda, José Carli (em arranjo para Astor Piazzolla), João Guilherme Ripper e Mario Ficarelli — escreveram com variações de ritmos, conferindo riqueza de sonoridade ao disco.   “Esses compositores, não envolvidos diretamente com a Banda, mostram aqui sua maneira particular de entender o grupo, dando um perfil particular a esse repertório, sem descaracterizar a tradição que vem da banda de coreto”, diz Rocha, que hoje é diretor-artístico da Orquestra Sinfônica de Santo André.Concerto Quem quiser conferir o novo trabalho da Banda Sinfônica ao vivo, neste domingo (22) o grupo fará concerto especial de lançamento na Sala São Paulo, na Capital, integrando a série 'Concertos Matinais'.   “Faremos um resumo desses dois CDs no concerto, com participação do maestro Abel”, revela Shirakawa. A apresentação ocorre às 11h, com entrada franca. Mais informações: www.bandasinfonica.org.br.   Formação   A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo é uma formação musical na qual predominam instrumentos de sopro e percussão, com piano e contrabaixos. Formada por 82 músicos, dedica-se à difusão da música de concerto e ao incentivo de novas composições e arranjos.   Criada em 1989 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a Banda conquistou reconhecimento internacional após participar da 8ª Conferência da World Association for Symphonic Bands and Ensembles (Wasbe), na Áustria, em 1997. Atualmente, Marcos Sadao Shirakawa é o maestro-titular e tem como regente-adjunta a maestrina Mônica Giardini. Desde janeiro de 2012, está sob a gestão da Organização Social de Cultura Instituto Pensarte.

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