Coluna publicada na edição de 27/3/18 do Correio Popular
Doriva abriu a sua primeira entrevista como técnico da Ponte Preta com um pedido de desculpas aos jornalistas que cobrem o clube. Admitiu, com todas as letras, que agiu de forma errada ao deixar o Moisés Lucarelli às pressas em 2015, sem dar uma entrevista sequer para comunicar sua decisão. Na verdade, o pedido de desculpas não deve ser direcionado à imprensa e sim à torcida da Macaca. Faz parte do mundo do futebol receber — e aceitar — uma proposta de um clube grande, com um salário bem maior, mais visibilidade e estrutura para trabalhar. Eu sei que muitas vezes o torcedor não entende quando um profissional aceita uma proposta melhor, principalmente quando a mudança ocorre durante o transcorrer de uma competição importante. Eu valorizo os poucos profissionais que cumprem seus contratos até o fim, mas compreendo os que agem de forma diferente. No caso de Doriva, o que pegou muito mal foi a forma como ele deixou o clube. O treinador comunicou a diretoria que havia aceitado a proposta do São Paulo e saiu correndo do CT, sem parar para conversar com os jornalistas. O problema, repito, não é a, digamos, falta de educação com os profissionais de imprensa. O problema, grave, foi não dar uma satisfação à torcida do clube que proporcionou a ele aquela grande oportunidade na carreira. Doriva saiu da Ponte e dormiu no CT da Barra Funda. Natural que estivesse ansioso para voltar a trabalhar no São Paulo, mas lamentável que tenha deixado a Ponte Preta dessa forma. Por isso foi muito importante que ontem Doriva tenha assumido que seu comportamento em 2015 foi completamente inadequado. “Eu não soube lidar com a situação, foi um momento de infelicidade da minha parte, falta de respeito. Peço desculpas ao torcedor, à diretoria e à instituição. Fiquei muito desapontado com a minha atitude e me arrependi muito”, disse o treinador. Torcedor de futebol é movido a paixão e é certo que, no primeiro resultado apenas razoável, Doriva será cobrado não apenas pelo tropeço em si, mas também por sua atitude do passado. Mas suas declarações vão atenuar o problema. Doriva poderia abordar o assunto de forma discreta, com um discurso politicamente correto, ou mesmo ignorá-lo completamente. Mas preferiu fazer o correto e, repetidas vezes, admitiu que seu comportamento foi ruim. Esse certamente não é o melhor jeito de reiniciar um trabalho no Majestoso, mas é o modo correto.