Coluna publicada na edição de 8/4/2018 do Correio Popular
Muitas vezes os analistas usam termos pejorativos para definir os estaduais, inclusive o Paulista, de longe o melhor e mais competitivo de todos. Não se discute que eles perderam importância com o passar dos anos. Atualmente os estaduais são disputados em fórmulas estranhas que os dirigentes inventam para encaixá-los em um período tão curto do calendário. O Paulistão de 1983, por exemplo, começou em maio e só terminou em 14 de dezembro. Mas as mudanças de fórmula e a redução do número de participantes não facilitaram a vida dos quatro grandes, sempre favoritos. Assim como nos velhos tempos, de vez em quando um time do interior avança até a final e provoca crises nos “gigantes” que abateu pelo caminho. E mesmo na disputa quase particular entre Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, a vida não é fácil. O Tricolor não é campeão desde 2005. E não está sozinho na fila. O Palmeiras lhe faz companhia desde 2008. Palmeiras que está a um ponto de encerrar esse jejum. É favorito por jogar em casa, por ter a vantagem do empate, por ter um elenco muito forte e por ter no Corinthians um adversário que não exibe a mesma competitividade da temporada anterior. O Corinthians sente a falta de Jô e não tem mais um meio-campo dinâmico como o de 2017. No jogo de ida, em sua arena, o time de Fábio Carille jogou de forma burocrática, respeitando demais um adversário que deixou o campo com três pontos. O título não está decidido, mas para conquistar o bicampeonato o Corinthians terá que ter uma postura diferente, com jogadores diferentes. Com uma postura parecida com a da semana passada e apostando em Emerson Sheik ou Danilo, as chances serão remotas. Com uma formação mais ousada e uma atuação inspirada do jovem atacante Pedrinho, talvez seja possível manter o rival verde na fila. Analistas podem chamar o campeonato de Paulistinha e dizer que estadual não vale nada por quanto tempo quiserem. Mas mesmo sem o prestígio e sem o calendário extenso de antes, o Paulistão ainda mexe com as torcidas. Os palmeirenses planejam uma enorme festa para comemorar aquele que pode ser apenas o primeiro título de 2018. Da mesma forma, uma virada no Allianz Parque seria deliciosamente inesquecível para os corintianos. O campeonato, por diversos fatores, não é mais o mesmo. Mas enquanto for doloroso perdê-lo, enquanto a fila de dez anos for incômoda e enquanto sua conquista for capaz de gerar euforia em milhões de torcedores, é melhor chamá-lo de Paulistão.