MESSIAS MARTINS

Eleições 2014 e os cristãos

21/10/2014 às 05:00.
Atualizado em 27/04/2022 às 08:44

A eleição é uma oportunidade para confirmar os políticos e os partidos que estão nos cargos públicos e o modo como estão governando e legislando; ou para mudar os mandatários e os rumos da política do País e do Estado. Os cristãos são chamados a participar ativamente na edificação do bem comum, escolhendo bons governantes e legisladores e acompanhando com atenção o exercício dos seus. Ficar alheios ao que se passa na política, pelo simples fato de estarem cansados de tantas promessas não cumpridas, não é atitude esperada do verdadeiro cristão. É importante conhecer bem as propostas dos candidatos e dos partidos aos quais estão filiados. Voto consciente é dado com conhecimento. Segundo a Carta do nosso Arcebispo D. Airton José dos Santos, atividade política deve acontecer para a promoção do bem comum, isto é, o voto tem consequências e revela a vontade do povo e suas aspirações. Acho importante, mesmo na última semana de eleições agora para presidente, lembrar ainda sobre a corrupção eleitoral. A Lei 9.840, de 1999, veio para moralizar a vida política do Brasil. Ela condena o abuso do poder econômico nas campanhas eleitorais e a compra de votos. Os candidatos denunciados e condenados em força dessa lei podem ter seu registro negado ou diploma cassado, além de receber multas. Os fatos de corrupção eleitoral devem ser denunciados à Justiça eleitoral. Candidato precisa ter ficha limpa.   Desde 2010, está em vigor a Lei complementar 135 (Lei da Ficha Limpa). Por ela, políticos já condenados por crimes eleitorais ou outros, previstos nessa lei, tornam-se inelegíveis pelo tempo previsto na sua condenação. A aprovação dessa lei, de iniciativa popular, contou com expressiva participação das comunidades e organizações da nossa Igreja Católica. É preciso ter credibilidade para representar o povo, legislar, governar e administrar o patrimônio e o dinheiro público.   O exercício do poder político é um serviço ao povo e ao País, por isso, ele deve estar voltado para as grandes questões, como a promoção de bem estar, condições de educação, saúde, moradia digna e trabalho com justa remuneração para todos, saneamento básico, respeito pela vida e a dignidade humana, superação da violência, proteção e promoção da família e do casamento, justiça e solidariedade social, respeito à natureza e ao ambiente da vida.   A política partidária é espaço de atuação dos cristãos leigos, que neles podem exercer melhor seu direito e dever de cidadania, orientados pelos princípios da fé e da moral cristã, e contribuir para a edificação do bem comum. Os templos e lugares de culto, bem com os eventos religiosos, não devem ser usados para a propaganda eleitoral partidária ( Lei 9504, art. 37 parágrafo 4º). A Igreja Católica valoriza a liberdade de consciência e as escolhas autônomas dos cidadãos. A religião não deve ser usada como “cabresto político” e as comunidades da Igreja não devem ser transformadas em “currais eleitorais”. No entanto, os católicos são convidados a se reunirem civicamente para fazer o discernimento sobre as propostas dos partidos e sobre os candidatos, dando seu voto a quem, em consciência, julgarem mais idôneo e merecedor de sua confiança.

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