Campinas dá adeus a José Alexandre dos Santos Ribeiro, professor, escritor e acadêmico
Dono de um mau humor engraçadíssimo, Ribeiro era um palestrante genial capaz de despertar o interesse de uma plateia muito diversificada (Cedoc/RAC)
Morreu ontem, em Campinas, aos 82 anos, o professor José Alexandre dos Santos Ribeiro. um ícone da cultura erudita tanto na literatura como na música, principalmente do legado de Carlos Gomes, de quem descobriu algumas composições perdidas. Desenvolveu a arte nobre de ensinar em sala de aulas do Colégio Culto à Ciência e PUC-Campinas. Entre outras atividades, também integra a história da cidade tanto como membro fundador da Academia Campineira de Música e como o imortal da cadeira 39 da Academia Campinense de Letras (ACL), Ele nasceu em Salto, no dia 3 de janeiro de 1938, radicado em Campinas desde 1952. De acordo com sua biografia, disponível no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas (IHGG), onde ocupava a cadeira 34, ele fez o ginásio no Colégio Diocesano Santa Maria e o colegial no Colégio Culto à Ciência. Se formou em Letras pela USP e fez pós-graduação em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, também na USP. Além disso, fez especialização em Linguística Geral e Sociolinguística pela PUC-SP. Ele foi professor de Português no Colégio Culto à Ciência, no período de 1960 a 1992. Também foi professor titular de Linguística do Instituto de Letras da PUC-Campinas. Também foi secretário de Educação de Orestes Quércia e Lauro Péricles. Foi em sua gestão como secretário, em 1969, que foi comprado o Cine Casablanca, para que em março de 1970 fosse levado a cena a òpera O Guarani em seu centenário. Foi crítico de artes, profundo conhecedor de música erudita e membro de várias instituições culturais. Foi o membro fundador da Academia Campineira de Música e ocupava a cadeira 39 da Academia Campinense de Letras (ACL), acadêmico da Academia Campineira de Letras e Artes (Acla), conselheiro emérito do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), entre outros. Durante cerca de dez anos estudou Piano e Teoria Musical, depois se dedicando à pesquisa musicológica e à crítica musical. Entre os anos de 1977 e 1981 foi crítico musical do Correio Popular, o que lhe rendeu convite para integrar a Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Foi autor de artigos especiais, palestras, debates e seminários sobre Música, em Campinas, São Paulo, Petrópolis, Piracicaba, Rio de Janeiro, Salvador e outros centros culturais do País. Ainda nos anos 80, o conhecedor de diversas vertentes culturais, produziu e apresentou um programa de rádio semanal de Música Clássica na Rádio Central de Campinas, o Opus Central, que teve grande audiência à época. A ACL lamentou a morte de seu acadêmico. O presidente, Jorge Alves de Lima, disse que tinha grande apreço pelo colega. "Eu o conheci em 1958. Eu estava fazendo o cursinho para vestibular de direito e ele foi meu professor nesse cursinho", relembra. Sérgio Caponi, presidente da Acla, também lamentou a morte do acadêmico. "A Academia certamente nunca mais será a mesma sem sua presença. Aliás, Campinas nunca mais será a mesma. Alexandre, a par de sua presença cativante, demonstrava sempre um inequívoco viés didático de que muito se podia aproveitar quem desfrutava de sua culta companhia. Se palestrando, era inigualável, posto que sempre demonstrou grande conhecimento dos temas que tratava, particularmente se literário ou musical, sobre os quais discorria com didática irretocável", disse. Segundo Caponi, sua paixão pela cultura e pelas artes fazia com que em tudo transparecesse uma aura especial de encantamento que sempre emprestava ao assunto um brilho cativante. "Não à toa, à sua volta, quer no Culto à Ciência, quer na Universidade ou quer nas academias, onde estivesse, estaria uma roda de ouvintes interessados à sua volta. Quem dele foi aluno sabe do que falo. Eu não o fui, infelizmente, embora tenha sido dos seus melhores amigos nesses últimos anos, razão pela qual, talvez seja dos que mais sentirão sua falta", concluiu. De acordo com Caponi, de quem era muito próximo, a causa da morte é suspeita de Covid-19. Ainda não há informações sobre velório, sepultamento ou cremação.