A São Paulo Companhia de Dança apresenta neste final de semana duas sessões gratuitas no Teatro Castro Mendes com programa que reúne um clássico absoluto

No palco, o público poderá assistir ao segundo ato de uma das obras mais célebres da história do balé e à estreia de “O Som da Chuva”, criação inédita da coreógrafa francesa Joëlle Bouvier (João Victor dos Santos)
Campinas recebe neste fim de semana um dos mais importantes corpos artísticos do país. A São Paulo Companhia de Dança (SPCD) retorna à cidade para duas apresentações gratuitas no Teatro Municipal José de Castro Mendes, nos dias 23 e 24 de maio, com um programa que une tradição e contemporaneidade. No palco, o público poderá assistir ao segundo ato de “O Lago dos Cisnes”, uma das obras mais célebres da história do balé, e à estreia de “O Som da Chuva”, criação inédita da coreógrafa francesa Joëlle Bouvier.
As sessões acontecem no sábado, às 20h, e no domingo às 19h. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados uma hora antes do início de cada apresentação, na bilheteria do teatro. Ambas as sessões contam com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição e tradução em Libras. Segundo a diretora artística Inês Bogéa, “o programa reúne duas obras marcadas pelo amor e pela delicadeza. No segundo ato de O Lago dos Cisnes, a tradição clássica ganha novo olhar na versão criada por Mario Galizzi para a Companhia. Já O Som da Chuva, de Joëlle Bouvier, revela o amor em suas múltiplas formas, com uma coreografia poética e profundamente humana. Estamos muito felizes em voltar a Campinas para essas apresentações”, comenta.
A passagem da companhia por Campinas marca a oitava visita do grupo à cidade e reforça a política de circulação da SPCD, que há quase duas décadas leva espetáculos de alto nível técnico e artístico para diferentes regiões do Estado de São Paulo e para plateias internacionais. O programa foi pensado para oferecer ao público experiências complementares. “O programa reúne obras que atravessam diferentes dimensões da experiência do amor e da delicadeza. São criações que convidam o público a sentir, imaginar e se reconhecer em cena, reafirmando a dança como uma linguagem capaz de emocionar e conectar as pessoas de forma profunda”, afirma Inês.
Poucas obras do repertório da dança possuem o alcance simbólico de “O Lago dos Cisnes”. Criado originalmente no século XIX, com música do compositor russo Tchaikovsky, o balé se tornou um ícone da arte clássica, conhecido por sua combinação de virtuosismo técnico, dramaticidade e beleza visual.
Na versão apresentada em Campinas, assinada pelo coreógrafo Mario Galizzi, o público verá o segundo ato da obra, considerado o coração poético da narrativa. É nele que o príncipe Siegfried encontra Odette, jovem transformada em cisne por um feitiço lançado pelo mago Rothbart.
Condenada a viver como cisne durante o dia e recuperar a forma humana apenas à noite, Odette carrega a esperança de que um amor verdadeiro seja capaz de romper o encantamento. O encontro entre os dois personagens é marcado por alguns dos trechos mais emblemáticos da história do balé, como o delicado adágio do Cisne Branco e o famoso pas de quatre dos pequenos cisnes.
Embora seja um espetáculo profundamente associado à tradição, “O Lago dos Cisnes” continua atual por tratar de temas universais. Para Galizzi, o conflito entre Odette e Odile, o Cisne Branco e o Cisne Negro, traduz a própria dualidade humana. “O bem e o mal compõem a dualidade da natureza humana, e o drama coreográfico-poético-musical de ‘O Lago dos Cisnes’ acontece dentro de nós”, resume.
TEMPESTADES DA ALMA
Se o clássico de Tchaikovsky evoca o romantismo e o imaginário dos contos de fadas, “O Som da Chuva” leva o espectador a um território mais abstrato e sensorial. A obra é a segunda criação de Joëlle Bouvier para a SPCD, após o sucesso de “Odisseia”, apresentada em importantes palcos do Brasil e do exterior.
Nesta nova coreografia, Bouvier constrói um percurso poético sobre estados emocionais desencadeados pelo amor. A inspiração parte de figuras femininas em constante transformação, atravessadas por desejo, memória e metamorfose.
“Sempre me interessam personagens em transformação. Nesta obra, parto sobretudo de figuras femininas que atravessam diferentes tempestades, sejam elas emocionais, sensoriais íntimas, em um percurso onde a dança, a música e os elementos cênicos constroem um espaço entre realidade e imaginação”, explica a coreógrafa.
Sem seguir uma narrativa linear, a criação se desenvolve por meio de imagens e atmosferas. Balões, tecidos, objetos cotidianos e um antigo gramofone compõem um universo visual delicado, ao mesmo tempo lúdico e melancólico. A iluminação de Caetano Vilela e os figurinos de Fábio Namatame reforçam a sensação de sonho.
A trilha sonora reúne obras de compositores como Johann Sebastian Bach, Arvo Pärt e Luiz Bonfá, além de sons de vento, chuva e pássaros, ampliando a dimensão sensorial da experiência.
EXCELÊNCIA BRASILEIRA
Criada em 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia de Dança consolidou-se como uma das mais respeitadas companhias da América Latina. Ao longo de sua trajetória, já realizou mais de 1.400 apresentações em 22 países, foi vista por mais de 2 milhões de pessoas e acumulou mais de 50 prêmios e indicações.
Seu repertório combina remontagens de obras fundamentais da dança mundial e criações inéditas de coreógrafos brasileiros e estrangeiros, mantendo um equilíbrio entre preservação da tradição e experimentação artística.
PROGRAME-SE
São Paulo Companhia de Dança em Campinas "O Lago dos Cisnes"
Quando: 23 de maio (sábado) às 20h e 24 de maio (domingo) às 19h
Onde: Teatro Municipal José de Castro Mendes - Rua Conselheiro Gomide, 62 - Vila Industrial, Campinas
Ingressos gratuitos, com retirada uma hora antes na bilheteria
Instagram: @saopaulociadedanca
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