Apresentação gratuita da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e aula do violeiro e pesquisador Ivan Vilela transformam o fim de semana em um mergulho na tradição, na identidade cultural e na força contemporânea da música de raiz brasileira

A Concha Acústica da Lagoa do Taquaral recebe hoje um espetáculo que aproxima a música caipira de raiz de influências da MPB, do rock, da música erudita e da new age (Divulgação)
Entre o som da terra e a delicadeza das cordas, a viola caipira atravessa gerações sem perder a capacidade de emocionar. Instrumento que ajudou a construir a paisagem sonora do interior paulista, ela volta a ocupar o centro da cena cultural campineira neste fim de semana em dois encontros gratuitos que celebram sua permanência, reinvenção e valor simbólico.
Hoje (23), a Concha Acústica da Lagoa do Taquaral recebe a Orquestra Paulistana de Viola Caipira (OPVC), reunindo 35 violeiros em uma apresentação que promete transformar o espaço aberto em um grande terreiro musical. Sob regência do maestro Rui Torneze, o grupo leva ao palco um repertório que parte da música caipira de raiz e dialoga com a MPB, a música erudita, o pop, o rock e referências da chamada world music.
“Campinas é um palco afetivo e recorrente para nós. A Concha Acústica do Taquaral faz parte da trajetória do grupo e já recebeu apresentações muito marcantes ao longo dos anos. Neste sábado, o público vai encontrar um espetáculo com a nossa identidade musical, que mistura referências da música erudita, do rock, da new age e da MPB aos grandes clássicos da música caipira de raiz. É um concerto pensado para emocionar, surpreender e celebrar a força da música brasileira”, afirma o maestro Rui Torneze.
A imagem de dezenas de violas de dez cordas tocadas em conjunto traduz a transformação vivida pelo instrumento no Brasil. Por muito tempo associada apenas ao universo rural, a viola ampliou seu alcance e passou a ocupar universidades, salas de concerto, festivais e pesquisas acadêmicas. Hoje, ela é ao mesmo tempo símbolo de tradição e linguagem contemporânea.
A própria OPVC representa esse movimento. O grupo já dividiu palco com nomes como Renato Teixeira, Almir Sater, Roberta Miranda e Vanessa da Mata, aproximando a sonoridade caipira de diferentes públicos e estilos musicais. A apresentação em Campinas contará com área prioritária para idosos, gestantes, autistas, pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida e famílias com crianças de colo. Também haverá atendimento dedicado a esse público e intérprete de Libras durante toda a apresentação.
PATRIMÔNIO
Essa dimensão histórica e cultural deste instrumento também será aprofundada amanhã (24) pelo violeiro, pesquisador e professor Ivan Vilela, um dos principais nomes da viola brasileira contemporânea. No Museu da Cidade – Casa de Vidro, ele apresenta a aula-espetáculo “História e Cultura no Som da Viola”, unindo música, narrativa histórica e reflexão sobre a formação cultural brasileira.
Reconhecido por seu trabalho acadêmico e artístico, Ivan Vilela ajudou a ampliar o entendimento da viola como patrimônio cultural e instrumento de sofisticada expressão musical. Em suas apresentações, Ivan costuma mostrar como a viola nasceu da mistura entre influências portuguesas, indígenas e africanas, acompanhando a própria formação social do país.
“A proposta é fazer uma aula-espetáculo em que eu conto um pouco da história da viola, da relação dela com as culturas populares brasileiras, enquanto vou tocando músicas. A viola é um instrumento muito antigo, com quase 800 anos de história, e quando chegou ao Brasil era o instrumento mais popular de Portugal. É uma forma de mostrar como ela atravessou o tempo e continua profundamente ligada à nossa identidade cultural”, afirma.
Ao transformar pesquisa em experiência sensorial, a aulaespetáculo propõe ao público um mergulho na trajetória do instrumento: das manifestações populares do interior às novas possibilidades da música instrumental brasileira. A proposta também reforça o papel dos museus e espaços culturais na preservação de memórias que nem sempre aparecem nos registros oficiais da cidade.
Os dois eventos revelam um momento de valorização da cultura caipira em Campinas. Em vez de permanecer restrita ao imaginário nostálgico do interior, a viola surge como linguagem viva, capaz de dialogar com novas gerações e diferentes universos musicais. Entre concertos coletivos e narrativas históricas, o instrumento reafirma sua potência artística e sua importância na identidade cultural brasileira.
PROGRAME-SE
Orquestra Paulistana de Viola Caipira – Projeto Viva Viola
Quando: Sábado, 23 de maio, às 18h
Onde: Concha Acústica da Lagoa do Taquaral
Entrada gratuita
Aula-espetáculo “História e Cultura no Som da Viola” – com Ivan Vilela
Quando: Domingo, 24 de maio, às 10h
Onde: Museu da Cidade – Casa de Vidro – Largo do Café
Entrada gratuita
Informações: @opvc_oficial e @ivanvilela10cordas
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