'El Paciente Interno', de Alejandro Solar Luna, conta a história de Carlos Castañeda de la Fuente

Cena do drama mexicano 'El Paciente Interno', de Alejandro Solar Luna ( Divulgação)
Impressionante a história de Carlos Castañeda de la Fuente, protagonista do documentário 'El Paciente Interno', do mexicano Alejandro Solar Luna, apresentado nesta quarta-feira (11) dentro do 23º Cine Ceará, que acontece até sábado (14) em Fortaleza. Aos 29 anos, em 5 de fevereiro e 1970, ele tentou assassinar o presidente Diáz Ordaz. O motivo, segundo ele, foi vingar o massacre de 2 de outubro de 1968, em Tlatelolco, no qual mais de 350 estudantes foram mortos. Mas há outras questões envolvidas, pois fica claro que Carlos tem um componente psicótico e, em algum sentido, messiânico. Ele leu um livro escrito nos anos 1920 no qual revela o confronto bélico de católicos contra o governo militar dez anos antes. Na lógica de Carlos, Diáz Ordaz atentava contra o povo de maioria católica e, portanto, atentava contra a Igreja Católica e contra Deus. Assim, ele se assume como um mártir ao tentar matar o presidente, sabendo que, pego, seria torturado e, possivelmente, morto. Não foi morto, mas o prenderam em uma prisão especial por 23 anos e o torturaram e o encheram de remédios. De modo que, se ele tinha um componente psicótico, este aflorou de vez. Uma vez solto, ele vai viver nas ruas. Alejandro falou com os jornalistas depois da exibição do filme e contou as razões que o levaram a se interessar pelo personagem. Leu reportagem em um jornal falando sobre o episódio do atentado que, afinal, ninguém se feriu, e de qual foi o destino de Carlos. O diretor gastou anos pesquisando sobre a história até que, com ajuda de uma advogada, encontrou Carlos nas ruas da Cidade do México e iniciou o processo de filmagem. Carlos conta a história de como se deu o frustrado atentado e o que lhe aconteceu depois, ou seja, as torturas e os 23 anos prisão em casa de um campo cercada por muro de arame, vigiado 24 horas e alimentado sem contato com ninguém – como se fosse animal. Quando Alejandro o encontra, realiza a entrevista (ele é lúcido e tem memória impressionante) e o convida para ficar num albergue. Ele aceita por um tempo, porém, volta às ruas. O filme que estreará no final do mês no México é, segundo o diretor, uma denúncia sobre o atendimento dos hospitais psiquiátricos do país e contra uma ditadura branca que se deu no México em que um partido (PRI - Partido Revolucionário Institucional) se manteve 70 anos no poder — até 2000. De acordo com o cineasta, o filme só se tornou possível por causa da saída do PRI do poder. Com isso, ele teve acesso a arquivos valiosos, documentos e apoio dos governos municipal e federal. A expectativa dele é que o filme provoque polêmica em seu país.