Cultura

Empresário foi precursor da globalização no mundo

Seu talento para os negócios levou a marca a todos os cantos do planeta

France Press
30/12/2020 às 10:50.
Atualizado em 22/03/2022 às 14:14
Desfiles da grife ostentavam superproduções nos centros da moda  (Lucas Barioulet/France Press )

Desfiles da grife ostentavam superproduções nos centros da moda (Lucas Barioulet/France Press )

Perfumes e cintos, mas também vasilhas, despertadores e móveis: ao longo dessas décadas, Pierre Cardin multiplicou excessivamente os contratos de licenciamento, a ponto de diluir a marca que leva seu nome. “É muito difícil ter um nome na moda. Por isso, quando temos um, temos que aproveitar”, garantiu o célebre estilista em maio de 2019. Ele havia afirmado várias vezes que sua marca valia “1 bilhão de euros (1,25 bilhão de dólares)”. Pierre Cardin foi um dos pioneiros da moda a se lançar nos nichos do licenciamento desde a década de 1960.

Com o passar dos anos, o estilista e homem de negócios construiu um império que expandiu seu nome ao infinito: camisas, lençóis, água mineral, kits de costura, locais culturais, desenhos, chegando até os produtos do Restaurante Maxim's, do qual era proprietário. “Me espalhei por todos os domínios, e meu nome inundou o mundo inteiro, graças às minhas licenças que garantem uma verdadeira solidez à empresa”, disse.

Em maio de 2019, ele reuniu 350 “licenciados” em seu famoso Palais de Bulles, perto de Cannes, uma residência futurística e cheia de curvas, e apresentou uma nova coleção de 150 modelos para eles. “China, Argentina, Brasil, México, Austrália e Coreia: os licenciados vieram de todo mundo, porque estamos em toda parte. Pode parecer estranho, mas conheço todos”, declarou alguns dias antes do evento. Em 2018, a fortuna de Pierre Cardin foi avaliada em 600 milhões de euros (US$ 735 milhões), de acordo como ranking anual da revista Forbes. “Sempre fui independente, sempre fui dono da minha marca. Era livre. Sou ‘selfmade man’ desde o início", destacou em 2019.

Retrospectiva

Em 2019, o Brooklyn Museum de Nova York organizou sua primeira grande retrospectiva em 30 anos, uma maneira de contribuir para a revalorização da imagem de Pierre Cardin. O empresário também era alvo de controvérsias. As múltiplas obras de restauração em Lacoste provocam polêmicas há vários anos entre os moradores. O mesmo aconteceu em 2012 com seu projeto faraônico do Palais Lumière de Veneza, que nunca viu a luz do dia.

Em 2009, a marca vendeu uma parte do seu império à China (30 licenciamentos têxteis e acessórios) parceiros locais por 200 milhões de euros (245 milhões de dólares). Seumodelo de licenciamento levado ao extremo se tornou um estudo de caso nas escolas de Marketing, sob o neologismo da “cardinização”.

O estilista morreu de causas naturais e não teve filhos. “Eu era atraente, muito bonito (...) Tive muito sucesso com os homens, com as mulheres”, contava Pierre Cardin, que teve como companheiro seu assistente André Oliver e viveu uma história de amor de quatro anos com a atriz francesa Jeanne Moreau.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por