O Ponto de Cultura NuFCa – Núcleo de Fotografia de Campinas leva oficinas gratuitas de produção de imagens a comunidades em situação de vulnerabilidade

Para crianças e jovens, a câmera se transforma em ferramenta de expressão, pertencimento e criação artística, ampliando formas de olhar o mundo, compreender o território onde vivem e reconhecer a própria identidade (Regina Pitta)
Em um tempo marcado pelo excesso de imagens e pela velocidade das telas, ensinar fotografia pode parecer apenas um exercício técnico. Mas, em muitos contextos, aprender a fotografar significa muito mais: é descobrir novas formas de olhar o mundo, compreender o território onde se vive e reconhecer a própria identidade. Para crianças e jovens, especialmente em regiões periféricas, a câmera pode se transformar em ferramenta de expressão, pertencimento e criação artística.
É justamente com essa proposta que o Ponto de Cultura NuFCa (Núcleo de Fotografia de Campinas) realiza, ao longo de 2026, uma ampla programação gratuita de oficinas, palestras e atividades formativas voltadas à arte fotográfica. O projeto, intitulado “De Hercule Florence à fotografia contemporânea”, busca democratizar o acesso ao ensino da fotografia e ampliar o contato de diferentes públicos com a produção de imagens, contemplando desde crianças e adolescentes até profissionais interessados em aperfeiçoamento técnico.
As ações acontecem principalmente em territórios descentralizados da cidade e em instituições que atuam com públicos em situação de vulnerabilidade social, como comunidades periféricas e espaços de acolhimento para pessoas em recuperação de dependência química. Até maio, sete atividades já haviam sido realizadas entre oficinas e palestras, mas a programação segue durante todo o ano.
Segundo Regina Rocha Pitta, coordenadora do projeto cultural, a fotografia continua exercendo um papel essencial mesmo diante das transformações digitais. Para ela, a experiência fotográfica vai além do registro imediato das redes sociais. “Em um mundo saturado de imagens digitais, ensinar a arte de olhar e criar por meio da fotografia é um ato de descoberta”, afirma.
A proposta do projeto foi construída a partir da parceria entre o Ponto de Cultura NuFCa, a Galeria Foto Ponto e o Festival Hercule Florence, referência histórica da fotografia em Campinas. A ideia é promover uma formação continuada, articulando oficinas práticas, palestras, exposições, exibição de filmes e visitas culturais, aproximando a região central dos territórios periféricos da cidade. “Mais do que ensinar técnica, queremos mostrar que a fotografia pode ampliar o olhar sobre o mundo e sobre o próprio território. Quando uma criança ou um jovem percebe que pode se expressar por meio da imagem, também descobre novas possibilidades de futuro, inclusive profissionais”, afirma Regina.
As oficinas acontecem em dois importantes polos comunitários. Na Vila Brandina, as atividades são realizadas em parceria com o Grupo Comunitário Criança Feliz, organização que desde 1989 desenvolve projetos socioeducativos e esportivos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O contato com a comunidade foi articulado por Suzy Santos, idealizadora da Casa Sem Preconceito e moradora da região.
Já no Jardim Novo Flamboyant, as ações acontecem em parceria com os Institutos Filhos Campinas e Padre Haroldo, ampliando o alcance das atividades culturais para públicos que muitas vezes possuem pouco acesso a formações artísticas especializadas.
A fotógrafa Juliana Engler ministra hoje (29) a oficina “Do meu infinito particular ao meu redor”, voltada para crianças e adolescentes atendidos pelo Grupo Criança Feliz. A atividade propõe exercícios de autorretrato e fotografia de rua, incentivando os participantes a perceberem a própria imagem e o espaço urbano sob novas perspectivas.
Formada em Design de Moda pela Faculdade Santa Marcelina, Juliana atua há décadas na área fotográfica. Em 1998, fundou o Ateliê Cromo, em Campinas, ao lado da irmã Carolina Engler, também fotógrafa. Desde então, desenvolve trabalhos pedagógicos, comerciais e artísticos ligados à fotografia.
Outra atividade prevista para junho é a oficina “Iniciação à fotografia”, ministrada pelo fotógrafo Celso Palermo, na Casa da Mulher Campineira, no Centro de Campinas. A proposta é atender iniciantes e fotógrafos amadores interessados em compreender fundamentos técnicos e atualizar conhecimentos.
Para Palermo, a formação fotográfica também precisa discutir as mudanças provocadas pela tecnologia digital. “Sabemos que fotografia é luz, mas andamos meio insensíveis ao fator da luz devido à influência da fotografia digital. Essa é uma ótima oportunidade para as crianças redescobrirem a importância da luz ao se produzir imagens”, comenta.
Mais do que ensinar enquadramentos ou técnicas de câmera, o projeto do NuFCa aposta na fotografia como linguagem artística e instrumento de formação humana. Em bairros afastados do circuito cultural tradicional, as oficinas criam espaços de convivência, escuta e criatividade, mostrando que a imagem também pode construir vínculos e ampliar horizontes.
O projeto “Da Fotografia de Hercule Florence à contemporânea”, foi contemplado no edital 006/2024 Cultura Viva (PNABCampinas) celebrado entre o Ponto de Cultura NuFCa e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas. As inscrições para as oficinas e palestras são gratuitas e podem ser realizadas pelo Instagram do Núcleo de Fotografia de Campinas, no perfil @nucleodefotografiadecampinas, por meio do link disponível na bio.
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