O senhor De Givenchy faleceu enquanto dormia no sábado, 10 de março, informou em um comunicado à AFP o também estilista Philippe Venet

As mulheres devem muito ao criador de moda, autor do primeiro "pretinho básico" que não pode faltar no guarda-roupa das mais elegantes. Seu primeiro desfile foi realizado em 1952 (Divulgação)
Ele vestiu Audrey Hepburn e Jackie Kennedy. Lenda da alta-costura, o estilista francês Hubert de Givenchy morreu, aos 91 anos, depois de marcar o mundo da moda por meio século pela elegância de suas roupas e seus tubinhos pretos. "O senhor De Givenchy faleceu enquanto dormia no sábado, 10 de março", informou em um comunicado à AFP o também estilista Philippe Venet, com quem compartilhou sua vida por vários anos. Seu funeral será realizado "na intimidade da família", informou ainda. Desde seu primeiro desfile em 1952 até sua aposentadoria, em 1995, a maison que levava seu nome, vendida em 1988 para o grupo LVMH, Hubert de Givenchy marcou o mundo da moda pela elegância de suas criações, como o famoso vestido tubinho preto usado por Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961). "As roupas de Givenchy sãos as únicas nas quais me sinto eu mesma. Mais do que um estilista, ele é um criador de personalidade", dizia a atriz a respeito daquele que a vestia na vida e no cinema. "Com o tamanho que ela tinha, qualquer coisa lhe caia bem", dizia o estilista sobre a atriz. Entre os vestidos icônicos do estilista, figura o de corpete bordado usado por Jackie Kennedy na visita oficial do casal presidencial americano à França em 1961, ou o de luto usado em 1972 pela duquesa de Windsor — um vestido e casaco crepe de lã com cinto de couro. Carreira começou aos 17 anos Nascido em 1927, Hubert James Taffin de Givenchy era apaixonado pela moda desde muito jovem. A ponto de ir a Paris aos 10 anos para conhecer o estilista Cristóbal Balenciaga, a quem admirava. O encontro muito aguardado demorou mais alguns anos para acontecer. Começou sua carreira aos 17 anos, descobrindo simultaneamente o universo das mãos pequenas e a das socialites em busca de vestidos de noite. Sete anos depois, abriu sua casa de moda, estimulado pelo exemplo de Christian Dior. Seu encontro em 1953 com Balenciaga, seu "mestre", foi decisivo. Acentuou seu gosto pela roupa arquitetônica e um certo estilo que se tornará o estilo Givenchy: uma elegância sem ostentação, dando lugar para o conforto, como os tubinhos pretos apreciados por suas clientes internacionais. Mais de vinte anos depois de se aposentar do mundo da moda, o estilista mantinha um olhar crítico sobre os desenvolvimentos em sua profissão. "Agora, acho que há uma espécie de despreocupação, acho que a moda tornou-se outra coisa e não posso dizer que estou entusiasmado. Há moda e modas", afirmou. A diretora artística de Givenchy, Clare Waight Keller, disse ontem em sua conta no Instagram, estar "profundamente entristecida pela perda de um grande homem e artista que teve a honra de conhecer".