NESTA QUINTA

Mostra com telas inspiradas em quilombolas é inaugurada

Seis meses de convivência resultaram em 20 telas, que formam a exposição Endireita Mundo

Fábio Trindade
fabio.silveira@rac.com.br
04/07/2013 às 11:55.
Atualizado em 25/04/2022 às 09:52

A ideia inicial do convite feito pela Universidade Federal de Juiz de Fora era que o artista plástico Filipe Matias fizesse uma documentação fotográfica das comunidades remanescentes de quilombos da Zona da Mata mineira para reunir e divulgar informações territoriais e etnográficas acerca delas.

Porém, o dia a dia, os costumes, as tradições e crenças dessas comunidades são tão fortes e singulares que representaram para ele muito mais que um simples trabalho. Os seis meses de convivência resultaram, além de um documentário e inúmeras fotografias, em 20 telas em acrílico sobre tela, que formam a exposição Endireita Mundo. A mostra, com curadoria de Luzia Castañeda, tem vernissage nesta quinta-feira (4), a partir das 19h, e fica em cartaz no Espaço Arte até 3 de setembro, com entrada gratuita.

Durante essas muitas viagens, Matias conheceu a endireita-mundo, nome popular de uma árvore cujas folhas são usadas em banhos e chás de cura. “Ela é usada contra o mau-olhado, o vento-virado, normalmente doenças espirituais. E como o trabalho foi todo inspirado nesse universo das comunidades, que são tão genuinamente brasileiras, ao traçar algumas das características que mais me encantaram, achei que o melhor nome para tudo seria o da planta, tando que ela batizou também todos os meus outros projetos.”

O artista pintou as telas simultaneamente, ou seja, “eu voltava das viagens, chegava no meu ateliê e começava a trabalhar, de tão fascinado que eu estava”, conta. A composição é, acrescenta, uma visão poética do período que passou com os quilombolas, mas com detalhes do modo de viver deles, o sincretismo religioso, o folclore e a história social, política e econômica.

Entre as obras, encontram-se telas como Tio Pai Tudo, que retrata um benzedor muito famoso entre as comunidades, e Cidinha, sobre Nossa Senhora Aparecida. “O Pai Tudo é uma espécie de curandeiro e herói, benzia picada de cobra e o que mais aparecia. E, indiferente da crença deles, como umbanda, o catolicismo, praticamente todos são muito devotos de Nossa Senhora. E eles têm uma ligação com ela muito próxima, por isso o Cidinha. A composição que eu fiz conta basicamente os signos das vidas desses cidadãos.”

Saudade

Com apenas 25 anos, Filipe Matias vem de uma geração de artistas que vivenciou os avanços do acesso rápido às inúmeras inspirações globais. Tanto que ele teve a oportunidade de fazer residência artística de dois meses em São Francisco, na Califórnia, em 2009, criando a série de pinturas intitulada Saudade.

A palavra, que é tida como exclusiva da língua portuguesa, inspirou o artista a pintar uma coleção que retrata suas percepções do modo de vida norte-americano. Ela foi exposta na Galeria e Café The Coho na Universidade de Stanford e as 22 telas foram vendidas durante a única noite de exposição. No mesmo período, Filipe realizou ainda outra mostra, a convite da maior galeria do Centro de São Francisco, com painéis que compunham a despedida do artista e retorno ao Brasil.

Agende-se 

O quê: Exposição Endireita Mundo, de Filipe Matias

Quando: Vernissage na quinta-feira (4), das 19h às 22h; visitação a partir de sexta (5), de segunda a sexta das 9h às 18h; sábado das 9h às 14h, até 3/9

Onde: Espaço Arte (Rua Conceição, 1.111, Cambuí, fone: 2139-3550)

Quanto: Entrada gratuita

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