Acostumada a viver mulheres neuróticas e vilãs vorazes, pela primeira vez a atriz estava diante de uma ninfomaníaca cheia de humor
Deborah Evelyn levou um susto assim que recebeu o convite para viver a socialite Lyris de A Dona do Pedaço. Acostumada a viver mulheres neuróticas e vilãs vorazes, pela primeira vez a atriz estava diante de uma ninfomaníaca cheia de humor e com muitas cenas em trajes mínimos. “Tive diversas sensações ao ler o texto. A Lyris tem esse lado para cima e bem-resolvido, mas vive um casamento infeliz, morno, sem sexo. É uma personagem de muitas camadas. Nunca achei que fossem me chamar para um papel desse, ainda mais depois dos 50”, conta a atriz de imperceptíveis 53 anos. No desenvolver da história, por conta da falta de apetite sexual do marido, a dondoca passa a ter experiências com outros personagens masculinos da trama. Esse movimento em relação à satisfação própria de Lyris é motivo de empolgação para Deborah, que vê na atitude uma “quebra” nos padrões sobre o prazer feminino na teledramaturgia. “Antes toda essa questão sexual era pensada a partir das necessidades do homem. Ter uma mulher madura que gosta e faz sexo no horário nobre sem grandes tabus é divertido e interessante.” As ruas e redes sociais são os termômetros da atriz para essa nova visão do telespectador em relação a mulheres mais fogosas. Em vez de criticaram a personagem por conta de seus pequenos desvios no casamento, o apoio e os elogios à forma física dominam os comentários. “Recebi algumas cantadas sim. Mas todas muito tranquilas e sutis. É uma personagem que levanta o meu moral. Posso até estar meio tristinha, mas é só chegar no estúdio e gravar que fico logo de alto astral”, conta. Depois de um famoso casamento de 24 anos com o diretor Dennis Carvalho, de quem é amiga até hoje, Deborah reencontrou o amor e está casada há sete anos com o arquiteto alemão Detlev Schneider. Acompanhando as cenas da esposa direto da Alemanha a partir do aplicativo Globoplay, a atriz garante que o marido não sente qualquer ciúme das muitas sequências sensuais que Deborah divide com bonitões como Malvino Salvador e Betto Marque. “Ele adora a trama. Nossa vida é viajar entre o Brasil e a Alemanha. Quando a gente não assiste a novela junto, ele me liga para comentar e elogiar. É uma relação à distância, mas estamos sempre muito próximos”, entrega. Por nunca ter vivido uma personagem com apelo “sexy”, Deborah assume sua dificuldade em ter de fazer cenas de lingerie ou tapa-sexo. “Sempre me dediquei a cenas emotivas. Então, tenho pouco traquejo para a sensualidade.” A primeira medida da atriz para se sentir bem no estúdio foi reforçar sua rotina de exercícios físicos. Mesmo com o tempo comprometido por conta das gravações da novela, ela encontra seu personal trainer no mínimo três vezes por semana. “Como preciso de mais corpo para esse papel, acabei aumentando minha ingestão de calorias e não faço qualquer atividade aeróbica para não perder massa.” Na hora de gravar, o clima descontraído e de respeito imposto pela diretora artística da trama, Amora Mautner, acaba sempre tranquilizando Deborah, que se deixa levar pelos desejos mais íntimos de Lyris. “Sempre trabalhei com diretores em um ambiente de muito respeito. Mas é claro que me sinto muito mais segura com uma mulher comandando tudo. Até o resultado da cena é mais profundo, pois sabemos do que estamos falando”, explica, entre risos. Natural do Rio de Janeiro, Deborah tinha 17 anos e estava passando uma temporada em São Paulo quando decidiu matricular-se na Escola de Arte Dramática da USP. Por obra do destino, em uma de suas apresentações para a banca examinadora do curso acabou sendo vista pelo prestigiado diretor Walter Avancini, que a convidou para um pequeno papel na minissérie Moinhos de Vento, exibida pela Globo em 1983. A partir daí, a atriz desenvolveu uma frutífera carreira recheada de personagens de forte densidade, como a mimada Lenita de A Gata Comeu, a romântica Frida de Fera Ferida e a neurótica Beatriz de Celebridade. Mais recentemente, passou a ser chamada para viver vilãs em tramas como Caras & Bocas e Tempo de Amar.