
Rômulo Amaro, presidente do Bugre, contratou Carlos Frontini após referências de Hugo Jorge Bravo, do Vila Nova (Raphael Silvestre/Guarani FC)
O cenário do futebol nacional desenhou uma rota curiosa para o Guarani: o Vila NovaGO transformou-se em uma espécie de espelho tático e administrativo para a condução do departamento de futebol bugrino. Tanto o novo executivo do clube, Carlos Frontini, quanto o presidente Rômulo Amaro, admitem abertamente a influência e o suporte técnico vindos diretamente de Goiânia para nortear as ações no Brinco de Ouro. O ponto central dessa conexão atende pelo nome de Hugo Jorge Bravo de Carvalho, figura que presidiu o Vila entre 2019 e 2025 e hoje atua como vice-presidente financeiro daquela instituição.
Gestor em início de trajetória, Frontini não economiza elogios e afirma categoricamente que “aprendeu tudo” com Hugo. Do outro lado da mesa, Rômulo Amaro, que assumiu a presidência do Guarani em outubro de 2024, reconhece o auxílio constante do dirigente goiano, a quem classifica como um conselheiro e amigo pessoal dentro do ambiente esportivo.
A lista de reforços contratados recentemente para o elenco alviverde materializa essa proximidade. Dos 16 atletas que desembarcaram em Campinas para a atual temporada, cinco tiveram passagens recentes pelo estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), o que representa 31% das aquisições totais: o experiente zagueiro Rafael Donato, o lateral-direito Rian, os volantes Nathan Melo e Ralf, além do atacante Guilherme Parede. É importante ressaltar que, embora as negociações tenham sido iniciadas pelo ex-executivo Farnei Coelho, todas as peças receberam o aval direto do Conselho de Administração (CA), sob a liderança de Amaro.
Essa “ponte aérea” não é exatamente inédita. Durante a disputa da Série C do ano passado, logo após as saídas do técnico Maurício Souza e do executivo Rodrigo Pastana, outros nomes com DNA do Vila Nova já haviam chegado ao Bugre, como o meia Diego Torres e os atacantes Dentinho e Gabriel Silva — este último já desligado do quadro atual.
Ex-centroavante de sucesso, Frontini teve sua primeira grande oportunidade na gestão esportiva em 2021, justamente no Vila, logo após pendurar as chuteiras. Naquele período, Hugo Jorge Bravo era o mandatário. “Ele foi uma peça fundamental na minha transição. Tive que entender que os 22 anos dentro de campo não eram suficientes para a sala de aula. Aprendi a parte teórica, a elaboração de contratos e a complexa relação com empresários e outros presidentes. O Hugo me deu a base para essa nova função”, revelou o executivo durante sua apresentação oficial na segunda-feira da semana passada.
Rômulo Amaro também detalhou como essa rede de contatos definiu a escolha do novo executivo. “Busquei informações com pessoas da minha extrema confiança e o Hugo me passou as melhores referências possíveis sobre o Frontini. Temos dialogado muito e essa troca de experiências é vital. Me identifiquei com o perfil de trabalho e acredito que essa sinergia nos levará ao protagonismo necessário para buscar o acesso na Série C”, pontuou o mandatário bugrino.
Frontini agora projeta um ciclo de aprendizado mútuo com o presidente. “Ninguém detém a verdade absoluta no futebol. Lidar com vestiário e com pessoas exige sensibilidade e aprendizado diário. Se conseguirmos manter um ambiente blindado e profissional, o sucesso será consequência natural”, afirmou.
Sob a batuta de Hugo Jorge Bravo, o Vila Nova não apenas conquistou o acesso na Série C, mas se estabilizou na Série B e quebrou, em 2025, um incômodo jejum de 20 anos sem o título estadual. O comandante daquela conquista foi Rafael Lacerda, nome que agora surge com força nos bastidores do Brinco de Ouro. Demitido do Atlético-GO no último final de semana, após o revés no primeiro jogo da final do Campeonato Goiano para o Goiás, Lacerda está livre no mercado e figura como uma opção estratégica para assumir o comando técnico do Bugre visando a competição nacional que se inicia em abril.
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