Início ruim na Série C e questionamentos sobre o comportamento da torcida deixam o treinador sem margem para erros no sábado
Carlos Frontini (à esquerda), executivo de futebol, e o presidente Rômulo Amaro consideram o desempenho baixo para o alto investimento feito no elenco (Raphael Silvestre\Guarani FC)
A fraca atuação no empate por 2 a 2 diante dos reservas da Ferroviária e o início duvidoso na Série C geram questionamentos no Guarani. O contexto deixa o técnico Élio Sizenando sob pressão. Apesar de a equipe permanecer invicta, o entendimento da direção é de que o futebol apresentado está muito abaixo do esperado diante da expectativa gerada em torno de um dos favoritos ao acesso.
Em quatro rodadas, foram três empates e uma vitória, além de um incômodo 10º lugar, duas posições abaixo do G8, a zona de classificação. O cenário indica que o próximo compromisso pode ser decisivo para o futuro do treinador no clube. Sábado, o adversário será o Santa Cruz, às 17h, no Brinco de Ouro.
Com uma das mais altas folhas salariais da Série C, o time bugrino fez quatro jogos contra equipes que ocupam a parte de baixo da tabela sem conseguir convencer. Na estreia, empatou por 1 a 1 fora de casa com o Maranhão, atual 15º colocado. Depois, fez dois jogos no Brinco: venceu o Volta Redonda por 2 a 0 com gols no segundo tempo e não saiu de um empate por 1 a 1 diante do Itabaiana, ocasião em que saiu vaiado de campo. Os dois adversários estão hoje, respectivamente, no 17º lugar e na lanterna, sendo que a equipe sergipana só somou o ponto conquistado em Campinas.
Mas foi o jogo contra a Ferroviária que ligou o sinal de alerta no Brinco. A desorganização em campo se somou à apatia dos atletas em vários momentos do duelo diante do atual vice-lanterna. Algumas reações da equipe também causaram estranheza entre os torcedores, como a ausência do goleiro Caíque França na tradicional reunião dos titulares antes do apito inicial e a comemoração isolada de Guilherme Parede após o segundo gol. O atacante anotou aos 39 do segundo tempo e evitou a derrota da equipe.
As avaliações de Élio após os jogos também não foram bem-recebidas dentro do clube. Depois do empate com o Itabaiana, ele questionou o comportamento da torcida. O último treinador que fez críticas públicas aos torcedores bugrinos após uma partida foi Mozart no Paulistão de 2023. Uma rodada depois, ele deixou o cargo.
Ao término do jogo em Araraquara, Élio voltou a “escorregar” nas palavras ao afirmar que a equipe fez uma boa partida contra o Itabaiana. Ainda durante sua entrevista cobrou do time “vergonha na cara”.
Desafio
No jogo em que busca a paz, o Guarani desafia o retrospecto negativo diante do Santa Cruz. Nos 15 jogos disputados entre os dois times, o Bugre venceu apenas quatro. Foram ainda quatro empates e sete derrotas. No Brinco, entretanto, palco da partida de sábado, a vantagem é bugrina. As quatro vitórias conquistadas pelo time no confronto foram em Campinas, onde também há registro de dois empates e um tropeço em sete encontros.
Guarani e Santa Cruz não se enfrentam há quase nove anos. O último confronto foi em 19 de agosto de 2017 no Brinco pela Série B.
Comandado na ocasião pelo saudoso Oswaldo Alvarez, o Bugre ganhou por 2 a 0 com gols dos zagueiros Ewerton Páscoa e Willian Rocha.
Para sábado, Élio terá o retorno do defensor Raphael Rodrigues, que cumpriu suspensão contra a Ferroviária. Já Lucca deve ser desfalque. O atacante precisou ser substituído em Araraquara depois de sentir dor muscular.
O Santa Cruz, um dos caçulas da competição, será mais um adversário do Guarani que não faz boa campanha na Série C. Depois de ganhar na estreia e empatar em seguida, a equipe perdeu seus dois últimos jogos. Com 4 pontos, ocupa a 13ª colocação na tabela.
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