Somada às dificuldades financeiras, diretoria se divide entre a modernidade tática de Márcio Zanardi e o pragmatismo de Danilo Andrade
Atual vice-presidente e diretor de futebol da Macaca, Marco Eberlin defende o estilo de jogo mais defensivo, mas aceita avaliar nomes modernos no mercado (Diego Almeida - PontePress)
Com dificuldades financeiras crônicas desde que a atual gestão assumiu o poder, em janeiro de 2022, a Ponte Preta já testemunhou diversos estilos de trabalho no banco de reservas ao longo dos últimos anos. Algumas dessas escolhas contrariam frontalmente os conceitos conceituais defendidos pelo então presidente e agora diretor de futebol, Marco Antonio Eberlin. No momento atual, disputam o cargo principal dois profissionais de linhas táticas opostas. Márcio Zanardi, com boas passagens pelas categorias de base de Guarani e Santos, é conhecido pela capacidade de estudar o oponente e por ser adepto do chamado jogo posicional. Ele defende a priorização da posse de bola, a intensidade e a versatilidade tática. Zanardi não esconde sua predileção por equipes que controlam o ritmo da partida e constroem jogadas desde a defesa, além de prezar por um ambiente marcado por forte união no elenco. O treinador tem as negociações mais avançadas com a diretoria da Macaca e, se conseguir evoluir na questão financeira, deverá ser anunciado oficialmente nos próximos dias.
O grande azarão na disputa de bastidores é Danilo Andrade. O exarmador do São Paulo é um profissional em início de carreira na beira do gramado e carrega uma clara inspiração no trabalho de técnicos como Tite e Fábio Carille.
A contradição nas opções táticas virou uma espécie de marca registrada da atual gestão pontepretana. Em janeiro de 2022, a decisão inicial foi a de manter Gilson Kleina, que baseava seu modelo de jogo no contra-ataque e na velocidade de peças fundamentais, como foi o atacante Moisés na Série B de 2021, quando a equipe somou 49 pontos e escapou da degola. Após a acachapante derrota no clássico diante do Guarani por 3 a 0, no Paulistão de 2022, Eberlin decidiu pela demissão imediata de Kleina e abraçou um estilo completamente oposto: Hélio dos Anjos, que monta suas equipes para agredir o adversário desde o minuto inicial, mesmo em partidas fora de casa.
Após perder para o Vitória por 3 a 0 na abertura da Série B seguinte, Hélio dos Anjos pediu demissão. A resolução da diretoria foi a de promover o auxiliar Felipe Moreira. Assim como seu pai, Marco Aurélio Moreira, o profissional tinha como foco prioritário fazer uma boa construção de jogadas desde o sistema defensivo. Apesar de ter somado 22 pontos em 18 jogos do turno inicial, o jovem treinador não cativou a torcida e acabou substituído por Pintado, que, com o clássico estilo “boleirão”, não emplacou no clube. O jeito foi recorrer a João Brigatti que, com cuidados defensivos e muito foco na bola parada, levou a equipe aos 42 pontos necessários para a manutenção.
Brigatti permaneceu no cargo durante a Série B de 2024, até sofrer uma derrota marcante no primeiro turno, momento em que Eberlin desligou o profissional e convocou o retorno do veterano Nelsinho Baptista. No primeiro turno, Nelsinho ajudou a equipe a alcançar 26 pontos, ficando a apenas seis pontos da zona de classificação. Mesmo com o posterior desligamento de Baptista, não foi possível evitar o trágico rebaixamento à Série C, terminando na 17ª posição com 38 pontos.
Com a queda para a terceira divisão nacional, Eberlin tomou duas providências imediatas: a volta de João Brigatti como Executivo de futebol e a contratação de Alberto Valentim, adepto de um trabalho mais defensivo e focado na disciplina tática. O efeito foi imediato no Paulistão da temporada seguinte: os 22 pontos somados não proporcionaram a classificação.
Valentim começou a competição nacional em bom ritmo e sempre manteve a Macaca na zona de classificação da Série C. No entanto, a grave situação financeira do clube levou o treinador a aceitar uma proposta irrecusável do América Mineiro, que estava ameaçado de rebaixamento na Série B. O objetivo foi atingido, pois a equipe mineira terminou na 14ª posição com 46 pontos. Enquanto isso, a Macaca apostou no estilo bonachão e apaziguador de Marcelo Fernandes, que conduziu o time ao título da Série C. Nem o saldo negativo de sete derrotas e um empate no Paulistão subsequente tirou o prestígio de Fernandes, que saiu da Macaca com um saldo geral de 8 vitórias, três empates e oito derrotas, registrando aproveitamento de 47,3%. Adepto de uma escola bem mais moderna de futebol, Rodrigo Santana assumiu o comando com a esperança de modificar o clima no vestiário. Não conseguiu. Seu saldo final é de três vitórias, um empate e oito derrotas, o que produz um aproveitamento de apenas 27,7%. Este será o duro legado a ser administrado pelo próximo ocupante do posto.
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