Assistente social do Guarani, Rosângela Alvarenga monitora a rotina escolar e pessoal de 92 atletas alojados no Brinco
Assistente social do Guarani, Rosângela Alvarenga (Guarani FC)
Os olhares que muitas vezes revelam insegurança, incerteza e desconfiança são reflexos de sensações naturais que atingem meninos em formação na base de clubes de futebol. Afinal, o caminho em busca do sonho de se tornar jogador profissional é estreito e se abre em oportunidades para poucos. No Guarani, clube com tradição em revelar talentos, a realidade não é diferente. No entanto, em meio a um universo de incertezas, há no Brinco de Ouro uma garantia de amparo. Em um ambiente historicamente marcado pela presença masculina, é pela iniciativa de uma mulher que os jovens competidores experimentam acolhimento na batalha.
Rosângela Alvarenga, de 63 anos, é incansável na luta para oferecer “descanso” aos cerca de 92 meninos que integram as categorias sub-14, sub-15, sub17 e sub-20. Assistente social da base desde 2019, ela atua como uma espécie de “mãezona”, onipresente nas várias histórias que compõem o alojamento, onde 41 jovens recebem acompanhamento próximo.
“No dia a dia do clube, o meu trabalho é acompanhar esses jovens atletas em diferentes aspectos de suas vidas: escolar, convivência no alojamento, relação com as famílias e desenvolvimento pessoal. Mais do que orientar, meu objetivo é acolher, escutar e ajudar esses meninos no crescimento como pessoas, de forma que se preparem para os desafios dentro e fora de campo”, explicou.
Multifuncional, Rosângela está atenta a todos os detalhes da vida de cada jogador, principalmente daqueles alojados. As orientações abrangem desde a transmissão de valores essenciais, como responsabilidade, respeito, disciplina e consciência social, até o cuidado com saúde, documentação e educação financeira.
“Cada categoria possui suas próprias necessidades e meu trabalho ocorre tanto em grupo quanto de forma individualizada, respeitadas as particularidades de cada atleta e suas demandas no clube”, contou.
Na prática, as iniciativas envolvem encontros com o psicólogo, rodas de conversa e apoio, além da realização de palestras educativas com temas ligados ao combate à violência contra a mulher, racismo, prevenção ao abuso e doping. Ao comentar sobre os apoiadores das atividades, ela cita as funcionárias da lavanderia, cozinha e limpeza. “Elas realizam um trabalho silencioso e lindo. O amor e o zelo que elas têm pelos meninos fazem delas a minha equipe”.
Além do trabalho com a base, Rosângela participa de forma espontânea dos projetos sociais apoiados pelo Guarani, como o Futsal Down e o Futsal TEA (Transtorno do Espectro Autista), que acontecem aos sábados no ginásio do clube.
“Esses projetos promovem inclusão por meio do esporte e proporcionam experiências de convivência, aprendizado e pertencimento para pessoas com deficiência. Também levo os meninos da base para a participação nestas iniciativas, o que reforça o compromisso social deles”, explicou.
Nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Rosângela celebra o espaço alcançado pelas mulheres no futebol, embora considere que as conquistas seguem em avanço. “A presença feminina no futebol representa reconhecimento e inspiração. É a prova de que, com compromisso e dedicação, as mulheres ocupam cada vez mais espaços importantes e contribuem para um ambiente mais humano, educativo e acolhedor dentro do esporte”, concluiu.
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