
Único jogo com lucro na Série B, duelo contra o América-MG teve a presença de 4,3 mil torcedores, mas rendeu apenas R$ 1,2 mil ao clube (Marcos Ribolli)
De olho na possibilidade de recuperação plena na sequência da Série B do Campeonato Brasileiro, a Ponte Preta não tem preocupações apenas dentro das quatro linhas. A diretoria busca estratégias urgentes para aprimorar a arrecadação nas bilheterias do estádio Moisés Lucarelli. Ao contabilizar os confrontos disputados contra Ceará, Vila Nova e América Mineiro, a equipe amarga um déficit acumulado, fato que deve provocar uma revisão imediata nas estratégias de marketing e logística para os próximos compromissos em Campinas.
Entre os 20 participantes da divisão nacional, a Macaca encontra-se atualmente na sétima colocação em arrecadação bruta, com um total de R$ 304,3 mil. Nesse quesito, a equipe supera adversários como o Goiás, que arrecadou R$ 292 mil, e o Fortaleza, com R$ 268,7 mil. A décima posição pertence ao Vila Nova (GO), com R$ 238 mil acumulados em três duelos como mandante. No topo da tabela financeira, a liderança de bilheteria é do Sport, com um total de R$ 810,7 mil, enquanto o Náutico aparece na segunda posição, com R$ 636,7 mil arrecadados.
O que está registrado nos borderôs oficiais pontepretanos verifica uma oscilação perigosa de receita em jogos que cobram bilhetes com valores variando entre R$ 20 e R$ 100. Nos 90 minutos iniciais da competição contra o Ceará, no dia 1º de abril, o empate por 1 a 1 foi assistido por cerca de quatro mil torcedores, o que proporcionou uma renda bruta de R$ 100 mil. No entanto, as despesas fixas da partida ficaram em R$ 100,7 mil. Na ponta do lápis, o duelo gerou para a Macaca um déficit de R$ 566,5 logo na estreia.
No dia 11 de abril, a derrota da Alvinegra para o Vila Nova (GO) foi presenciada por 4,1 mil pessoas, gerando o montante de R$ 99,8 mil de renda bruta. Como as despesas da partida vencida pelo Tigre goiano foram de R$ 102,7 mil, o clube contabilizou um novo resultado negativo, desta vez de R$ 2,9 mil. A vitória sobre o América Mineiro por 1 a 0, na semana passada, trouxe fôlego aos bastidores. Os 4,3 mil presentes produziram R$ 104,2 mil de receita, enquanto as despesas ficaram em R$ 103 mil, gerando uma renda líquida positiva de R$ 1,2 mil. Mesmo com esse respiro, o saldo total dos três jogos ainda é negativo em R$ 2,7 mil.
O Manual Geral de Competições da CBF determina, em sua página 148, que a cobertura de qualquer déficit nas partidas é de responsabilidade exclusiva do clube mandante. Os saldos negativos nas bilheterias obedecem à necessidade de quitar despesas obrigatórias e cumprir detalhes rígidos do regulamento. O descumprimento pode gerar dores de cabeça não só para a Ponte Preta, mas também para a Federação Paulista de Futebol (FPF). “Em não ocorrendo o recolhimento do desconto relativo ao INSS, sem que haja determinação legal ou judicial para o não recolhimento, a Federação responsável poderá ser, através de comunicação da CBF, impedida de realizar jogos do campeonato no seu Estado”, alerta o artigo 16 do Regulamento Específico da Série B.
De acordo com as normas vigentes, o clube mandante deve arcar com uma longa lista de custos em cada partida: aluguel de campo; despesas administrativas da Federação local; controle, emissão e venda de ingressos; seguro do público presente; pessoal do quadro móvel; e a taxa de 5% da renda bruta para a Federação. Além disso, há custos com exames antidoping, remuneração da equipe de arbitragem (incluindo transporte, hospedagem e alimentação devidamente comprovados) e a estrutura médica com enfermeiros e ambulâncias de plantão.
A próxima oportunidade para reverter o quadro financeiro no Majestoso será em 9 de maio, contra o Sport, às 18h30. Antes, porém, o foco volta para o campo. Para o confronto diante do São Bernardo, domingo, às 16h, a expectativa gira em torno das decisões do técnico Rodrigo Santana. O treinador aguarda o posicionamento do Departamento Médico para saber se poderá contar com os retornos do zagueiro David Braz, do meia Elvis, do lateral Diego Porfírio e do atacante David da Hora, peças consideradas fundamentais para buscar pontos fora de casa.
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