ESPERANÇA

Ponte respira na Série B em meio à crise financeira

Elenco inicia a preparação para o duelo contra o São Bernardo sob a expectativa da regularização dos salários

Elias Aredes
28/04/2026 às 13:29.
Atualizado em 28/04/2026 às 13:29

Autor do gol da vitória sobre o América-MG, William Pottker busca emplacar sequência positiva e retomar o protagonismo no ataque alvinegro (Marcos Ribolli - PontePress)

O elenco da Ponte Preta iniciou, ontem, a preparação para o duelo contra o São Bernardo, agendado para o próximo domingo, às 16h, no estádio Primeiro de Maio. A semana de trabalhos no CT do Jardim Eulina abre-se sob um misto de alívio e tensão. Se por um lado o técnico Rodrigo Santana celebra a conquista de duas vitórias consecutivas, por outro, precisa lidar com um ambiente de bastidores inflamado pela crise financeira. O confronto no ABC Paulista é visto como a oportunidade ideal para consolidar a fuga da zona de perigo, mas exige a superação do desgaste emocional causado pelos atrasos salariais. 

A comissão técnica aproveita o intervalo na tabela para monitorar os retornos do zagueiro David Braz e do armador Elvis, que finalizaram a transição física e podem virar opções para domingo. O departamento médico também acompanha Diego Porfírio e David da Hora. Entretanto, o fôlego conquistado na classificação ainda não acalmou os ânimos. O protesto silencioso após a vitória diante do Coelho, em que o grupo não concentrou e ignorou a imprensa após o duelo, deixou clara a insatisfação. Nas redes sociais, o lateral-esquerdo Danilo Barcelos desabafoi sobre a situação. “Falo por todos que estão sofrendo no dia a dia. Parabéns à rapaziada que teve hombridade e honrou essa camisa até o fim”. 

RETROSPECTO 

A vitória sobre o Coelho por 1 a 0 representou mais do que três pontos na tabela. O resultado marcou o 120º confronto da Macaca na competição sob o comando do atual grupo político, que gere o clube desde janeiro de 2022. Desse total de duelos, a equipe venceu em apenas 33 oportunidades, o que resultou em um aproveitamento de 27,5%. Seja sob a presidência de Marco Antonio Eberlin ou de Luiz Torrano, o cenário que prevalece no Majestoso é o de uma equipe acostumada com vitórias “light” e grandes intervalos entre as conquistas. 

O triunfo magro de sexta-feira reforça outra tendência. Em 19 ocasiões dessas 33 vitórias, o time venceu pelo placar mínimo de 1 a 0, o que equivale a 57,57% dos êxitos. Na prática, o torcedor pontepretano demora, em média, quase 20 dias para comemorar um resultado positivo. Para compreender como a Alvinegra se tornou refém dos placares magros, basta observar o cenário nacional. Na Série A do ano passado, por exemplo, o 1 a 0 ocorreu em apenas 13,9% dos jogos. Nas rodadas iniciais da atual segundona, 20% dos confrontos terminaram com o placar mínimo. 

Ao realizar uma pesquisa pormenorizada do que foi feito nos últimos anos, conclui-se que o torcedor precisou conviver com a falta de gols. Na Série B de 2022, com Hélio dos Anjos como treinador, metade das 12 vitórias foram conquistadas pelo placar mínimo. Já em 2023, após a dança das cadeiras entre Felipe Moreira, Pintado e João Brigatti, a situação se agravou. Ao todo, foram apenas nove vitórias em todo o torneio, sendo sete delas por 1 a 0. Naquela edição, a Alvinegra celebrou um triunfo a cada 24,7 dias, garantindo a permanência apenas na rodada derradeira contra o CRB. 

Mesmo nas campanhas de manutenção, a Macaca emitiu sinais claros de instabilidade. No atual recorte de 2026, a equipe comandada pelo técnico Rodrigo Santana, que assumiu o time após a demissão de Marcelo Fernandes, campeão da Série C com a equipe alvinegra no ano passado, precisou superar um início turbulento antes de engatar as duas vitórias consecutivas. 

Até o triunfo contra o Avaí, na semana retrasada, fora de casa, que iniciou a reabilitação da Macaca na Série B, o time enfrentava dificuldades para converter o volume de jogo em gols, acumulando partidas de baixo índice ofensivo. Agora, com o resultado positivo diante do América-MG, o treinador tenta consolidar uma nova média de vitórias no torneio. A diretoria executiva busca recursos para normalizar os pagamentos dos atletas e da comissão técnica ainda nesta semana, na tentativa de evitar que o protesto ganhe novas proporções antes do desafio fora de casa contra o São Bernardo.

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