IMPASSE FINANCEIRO

Ponte vê crise adiar acerto com novo técnico

Pedida salarial de Zanardi trava acordo e Danilo Andrade ganha força nos bastidores; Edson Boaro deve dirigir o time contra o Botafogo-SP

Elias Aredes
29/05/2026 às 18:36.
Atualizado em 29/05/2026 às 18:36

Ex-atleta de Corinthians e São Paulo, Danilo levou o Pouso Alegre à semifinal do Campeonato Mineiro deste ano (Pouso Alegre)

A situação financeira vivida pela Ponte Preta produziu uma mudança drástica de cenário na escolha do novo treinador para a sequência da disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. A diretoria da Alvinegra corre contra o tempo, uma vez que a próxima partida da equipe na competição nacional será realizada na segunda-feira, diante do Botafogo-SP, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. No processo de negociação com o departamento de futebol, após as recusas oficiais de Umberto Louzer e também de Claudinei Oliveira, o nome que estava mais próximo da diretoria executiva era o de Márcio Zanardi, recentemente desligado do Figueirense. 

No entanto, o técnico de 47 anos pediu garantias financeiras reais para assinar o vínculo contratual, o que se torna inviável diante dos atuais obstáculos operacionais do clube para colocar em dia os vencimentos dos próprios jogadores do elenco. Mas não há a intenção de descartar o profissional e a negociação segue em aberto. Um novo plano foi colocado em prática nos bastidores do Majestoso e conversas foram iniciadas com Danilo Andrade, ex-armador de Corinthians e São Paulo. Após o início na equipe sub-20 do Parque São Jorge, ele recebeu uma oportunidade no Pouso Alegre, cujo rendimento levou o time às semifinais do Campeonato Mineiro. 

Caso as negociações com Zanardi, Danilo Andrade ou com outro profissional de mercado não evoluam nas próximas horas, a tendência é pela condução de Edson Boaro no banco de reservas durante o confronto direto diante do Botafogo-SP. Boaro, que está no clube desde janeiro de 2022, já dirigiu a equipe profissional principal, o sub-20 em edições do Campeonato Paulista e da Copa São Paulo de Futebol Júnior, além de ter orientado a equipe sub-23 nos jogos da Copa Paulista de 2023. 

Para a sequência da temporada, a Macaca já sabe oficialmente que não contará com o lateral Bryan Borges, que está em pleno processo de rescisão de seu contrato de trabalho e deve defender o Ceará a partir do dia 20 de julho. 

JUSTIÇA 

Em decisão emitida na tarde de ontem, o juiz Paulo César Batista dos Santos, da 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas, deu parecer negativo em relação ao afastamento imediato do presidente Luiz Antônio Alves Torrano do cargo executivo. Na sua decisão, o magistrado afirmou que não há como negar que o Estatuto Social, a validade da renúncia associativa de 2021 e a legitimidade das decisões do Conselho Deliberativo em 2023 constituem um tema que merece atenção e profunda análise judicial. Diante deste quadro complexo, não há como tomar uma decisão precipitada sem antes ouvir o clube e realizar uma análise minuciosa das provas, procedimento que será feito ao longo do processo. O juiz estranhou o fato de os conselheiros terem requisitado uma medida em relação a um fato que ocorreu em janeiro de 2023 e sobre o qual não houve qualquer preocupação anterior, sendo que o mandato de Torrano está em vigor há cinco meses. 

Representante dos associados oposicionistas na ação judicial, o advogado João Felipe Artioli considera que a decisão do magistrado precisa ser analisada com ponderação. “A decisão de negar a tutela é absolutamente normal. Nossa tese é de que, embora a irregularidade tenha se originado no passado, o dano institucional é atual, contínuo e progressivamente renovado. O juiz entendeu, contudo, que se Torrano ocupa o cargo desde janeiro e a ação só foi apresentada agora (em que pese a não-apresentação anterior pela dificuldade em obter documentos gerada pela própria Ponte Preta), não há necessidade do afastamento imediato”, explicou o advogado. “Importante destacar, contudo, que o juiz reconhece que é plausível a violação legal. Ou seja, o juiz não disse que Torrano está regular nem que a eleição é válida, nem que a reintegração após a renúncia foi correta. Apenas entendeu que Torrano pode permanecer no cargo enquanto a ação principal é julgada de forma definitiva”, completou o advogado. 

Esta foi a segunda vitória judicial obtida pelo presidente pontepretano nesta semana. Uma decisão emitida na 3ª Vara do Juizado Especial Cível da Comarca de Campinas fez com que o presidente ganhasse uma indenização de R$ 10 mil do médico Fernando Porto, que foi procurado desde anteontem, mas não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição. Cabe recurso na decisão judicial. 

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