BASTIDORES

Punição da Fifa amplia pressão sobre a Ponte Preta

Diretoria projeta engenharia financeira para quitar os salários do elenco e extinguir o transfer ban a tempo de reforçar a equipe em julho

Elias Aredes
22/05/2026 às 13:36.
Atualizado em 22/05/2026 às 13:36
O presidente da Macaca, Luiz Alves Torrano, articula a entrada de verbas emergenciais com parceiros a fim de estancar a crise e reorganizar as finanças do clube (Marcos Ribolli)

O presidente da Macaca, Luiz Alves Torrano, articula a entrada de verbas emergenciais com parceiros a fim de estancar a crise e reorganizar as finanças do clube (Marcos Ribolli)

Além de se preocupar com a montagem de um time competitivo para o confronto de amanhã, às 16h30, contra o CRB, no estádio Rei Pelé, pela Série B, a Ponte Preta enfrenta uma realidade sufocante nos bastidores. O clube está impedido de inscrever jogadores devido a uma nova punição da Fifa: um “transferban” decorrente de uma dívida de aproximadamente 6 mil dólares, cerca de R$ 30 mil reais na cotação atual, com um clube paraguaio. A sanção internacional amplia drasticamente a pressão sobre a Alvinegra, que já acumulava um bloqueio na Câmara Nacional de Resoluções Desportivas (CRND) desde o início de maio pelo atraso de três parcelas do plano coletivo de R$ 18 milhões firmado em 2024. 

Diante do colapso financeiro, o presidente do clube, Luiz Alves Torrano, lidera a articulação pela captação de verbas emergenciais junto a parceiros investidores a fim de estancar a crise. A prioridade absoluta do mandatário é viabilizar a entrada de novos recursos para quitar os salários em atraso do elenco atual e derrubar as duas punições de mercado a tempo de reforçar o grupo na próxima janela de transferências, que funcionará de 20 de julho a 11 de setembro. 

O plano traçado pela diretoria prevê a realização de seis a oito contratações para encorpar o grupo no segundo semestre. No entanto, o executivo de futebol, João Brigatti, admite que os obstáculos econômicos arranham a credibilidade da agremiação e travam o andamento dos negócios. “Temos dificuldade para contratar devido à situação que envolve o lado financeiro da Ponte Preta. Com todos os empresários que conversamos em busca de jogadores, sempre vem a mesma pergunta em relação às finanças. Sem contar a possibilidade real de perder atletas que se destaquem com a abertura da janela”, desabafou o dirigente. 

“Nós temos já algumas situações que, não digo que sejam apalavradas, mas bem encaminhadas. Ainda demora até julho para que a janela possa abrir, mas queremos fortalecer a equipe”, completou o executivo. Apesar do cenário turbulento fora das quatro linhas, a cúpula tenta blindar o vestiário para o duelo em Maceió. “A gente não deixa de acreditar. Sempre passamos algo positivo todos os dias para não deixar o barco afundar, porque sabemos do tamanho que é essa camisa. Este é um momento da Ponte Preta em que ninguém acredita, mas nós, que estamos no comando, precisamos apoiar e buscar soluções para que os atletas se sintam confortáveis”, endossou Brigatti, em entrevista à Rádio Bandeirantes Campinas, focado em obter logo a pontuação para garantir a permanência na Série B. 

A necessidade de uma reação imediata no campo é endossada por um adversário implacável fora dele: a matemática. De acordo com estudos do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a goleada sofrida por 4 a 1 para o Londrina, em pleno Majestoso, na segunda-feira, fez o risco de queda da Macaca saltar para 48,5%, índice inferior apenas ao do América-MG, lanterna da competição, que lidera o fantasma do descenso com 74,5%. A probabilidade de queda do Londrina é de 40,3%, enquanto o Botafogo-SP tem 32,1%, seguido pelo Avaí, com 30,2%. Cuiabá, com 23,8%, Athletic-MG, que soma 20,6%, Operário-PR, que tem 18,3%, e o próprio CRB, com 19,9%, também integram a zona de alerta, segundo a universidade. 

No site Chance de Gol, do matemático Marcelo Leme Arruda, as projeções são ainda mais severas, apontando um risco de 90,6% de rebaixamento para a Macaca, superando até mesmo o América-MG, que tem 81,2% de chances de ser rebaixado. O retrospecto recente da equipe campineira justifica o temor. Ao comparar com a Série B de 2025, após nove rodadas, times que abriram a degola, como Amazonas e Paysandu, acabaram rebaixados ao término da competição. A própria história alvinegra liga o sinal de alerta. Em 2024, após nove jogos disputados, a Macaca ocupava a 15ª posição com os mesmos nove pontos atuais. Naquela ocasião, mesmo com a arrancada inicial sob o comando de Nelsinho Baptista, que levou o time ao décimo lugar no fim do primeiro turno, a equipe perdeu tração na metade final do campeonato, somou apenas 38 pontos e acabou rebaixada para a Série C. 

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