
Em janeiro, parte do elenco pontepretano participou de uma cerimônia que marcou a chegada da taça no Majestoso (Marcos Ribolli)
Milhares de torcedores pontepretanos compareceram em peso, na manhã de ontem, para finalmente conhecer de perto a taça conquistada na Série C do Campeonato Brasileiro do ano passado. O troféu simboliza o momento em que a Alvinegra venceu o Londrina por 2 a 0 e faturou o seu primeiro título de âmbito nacional, no dia 25 de outubro. A metodologia de visitação pública já havia sido testada na semana anterior, em um evento exclusivo destinado aos participantes do programa de SócioTorcedor, mas agora as portas foram abertas para toda a coletividade que sustenta a paixão pelo clube.
A possibilidade de os torcedores conhecerem o objeto da maior conquista da história pontepretana encerra um verdadeiro calvário que durou exatos 155 dias. Naquela tarde de outubro, a vitória épica proporcionou uma invasão de campo generalizada, na qual torcedores empolgados chegaram a levar objetos do estádio, como as placas que anunciam as substituições das partidas. Até o troféu de “posse imediata” chegou a sumir momentaneamente, sendo devolvido após alguns dias de incerteza. O imprevisto impediu a realização da cerimônia de premiação protocolar no gramado, o que gerou uma saia justa diplomática com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O motivo do desconforto é que todas as entregas de medalhas e troféus por parte da entidade máxima do futebol são patrocinadas, e a final da Série C acabou não oferecendo a visibilidade adequada aos anunciantes devido à confusão. Além do mal-estar institucional, a invasão gerou consequências jurídicas graves: a Macaca foi denunciada e, em um primeiro julgamento, punida com a perda de dois mandos de jogo. A pena foi revertida na sequência para um desconto financeiro direto nas rendas das partidas seguintes, o que aliviou o lado esportivo, mas pesou no bolso.
Até chegar às mãos do torcedor comum, a taça percorreu um longo caminho e passou por várias mãos. O troféu oficial foi recebido somente no dia 08 de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a cerimônia de gala do Campeonato Brasileiro. Como o atual vice-presidente e Diretor de Futebol, Marco Eberlin, era o mandatário máximo na época da conquista, coube a ele o gesto de erguer o troféu no palco da CBF. Os jogadores, por sua vez, só tiveram contato com a honraria no dia 06 de janeiro, durante uma reunião ordinária do Conselho Deliberativo. Naquela ocasião, lideranças do elenco como o volante Rodrigo Souza, o armador Elvis e o lateral-esquerdo Danilo Barcelos puderam, enfim, celebrar o feito.
De acordo com o Diretor de Marketing e Comunicação da Ponte Preta, Ricardo José Silva, os torcedores mereceram essa dinâmica especial em virtude do que a taça representa. “Essa taça é da Nação Pontepretana. Ela pertence ao torcedor que sofreu, acreditou, apoiou e nunca deixou de amar a Ponte Preta. Mas ela também simboliza a bravura de um elenco de jogadores guerreiros e de uma comissão técnica igualmente resiliente, que, diante de limitações financeiras conhecidas por todos, lutou com raça. Independentemente das dificuldades, honraram o manto e conquistaram esse título de forma contundente”, afirmou o dirigente.
Responsável pela organização, Ricardo celebrou a abertura do Majestoso para as famílias, embora a experiência tenha dividido opiniões. Marcelo Gebin de Carvalho, motorista de aplicativo e torcedor fanático, considerou que a organização poderia ter sido mais eficiente. “A estrutura não estava legal. Poderia ter sido feito na sala de troféus, até pela importância histórica. A gente não podia nem tocar na taça, mas minha presença era importante para apreciar algo que muitos sonharam”, desabafou o torcedor.
A celebração tenta amenizar um cenário atual turbulento. No Paulistão, a equipe somou apenas um ponto em oito jogos e foi rebaixada para a Série A-2 de 2027. Na Copa do Brasil, a eliminação veio diante do Atlético-GO, e na Série B o time estreou com derrota para o Athletic-MG. Para mudar o rumo, a diretoria contratou 14 reforços após quitar o “Nomes como Rodriguinho, André Lima, David da Hora e William Pottker chegam para reforçar o ataque, enquanto na defesa as apostas passam por Sergio Palacios, Weverton e a experiência de Danilo Barcelos, na tentativa de resgatar o espírito vencedor que ergueu o troféu da Série C.
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