
Jogadoras formadas e com trajetórias em Campinas hoje integram o Katadinho, que treina toda semana na Lagoa do Taquaral e participa de competições (Divulgação)
Dentro de quadra, elas dedicaram suas vidas ao voleibol. Mas o tempo passou. Hora de parar? Nem pensar. A vontade de seguir jogando fala mais alto. E a paixão pelo esporte move mentes e corações em um espaço na Lagoa do Taquaral, em Campinas.
É nesse espaço que “meninas” na faixa dos 40 aos 55 anos se reúnem todas as quintas-feiras das 19h30 às 21h30. “Já jogamos muito. Agora, nos divertimos”, resume Cristiane Savi, coordenadora do grupo. A diversão, no entanto, vira coisa séria quando se trata de um elenco integrado por jogadoras cujo vôlei foi e é muito mais do que brincadeira. As atividades são de um time que disputa torneios regionais, nacionais e até internacionais. Isso, há 15 anos.
Cristiane conta que o grupo surgiu depois que o time máster categoria 40 Mais de Campinas envelheceu e o campeonato brasileiro da categoria parou de ser disputado. Ela foi a técnica da equipe por seis anos. “Minha proposta foi de manter os treinos das atletas que representaram Campinas e que ainda tinham interesse em continuar defendendo a cidade em torneios da nossa categoria”, explica. “E nesses 15 anos de atividade, já chegamos até a enviar jogadoras para disputar campeonatos no Exterior, inclusive a Olimpíada Master.”
O nome do time é um retrato do espírito de diversão que norteia o grupo. “Nos finais de semana, catávamos uma aqui, outra ali, nos juntávamos e íamos jogar. Então o nome ficou Katadinho”, diz Cristiane, sorrindo. A sugestão do nome foi da ex-jogadora da equipe Valdete. “Hoje, a Valdete faz parte de um outro time de Campinas formado por ex-atletas chamado TDA, o Time das Amigas”, detalha Cristiane, acrescentando que quem também integra essa equipe é Maria Angélica Beraldo, a primeira campineira a defender uma seleção brasileira.
Entre participantes frequentes e esporádicas, o Katadinho é formado por cerca de 40 jogadoras. De acordo com a coordenadora, trata-se de um grupo rotativo. “Entre nós, já passaram várias. E estamos abertas para quem busca uma possibilidade de jogar”, diz. Nas reuniões das fiéis frequentadoras no Taquaral, nomes mais conhecidos no meio do vôlei, como Carol, ex-seleção, Karine e Patrícia, se juntam a ex-atletas que representaram clubes da região. E quando há torneios, independentemente do resultado, um compromisso se transformou em ritual após a disputa. “Todas vão para o bar. E quem não vai vira assunto”, brinca Cristiane.

Em nome da paixão pelo vôlei, grupo de ex-jogadoras de Campinas se reúnem (Divulgação)
CELEBRAÇÃO DO VÔLEI
A coordenadora do Katadinho, hoje com 54 anos, diz que o time é uma forma de manter viva a tradição do vôlei em Campinas, uma cidade que tem história na modalidade. Sua ligação com o vôlei começou como jogadora ainda do pré-mirim pela equipe da Prefeitura. E depois de passar por todas as categorias, ela viu a possibilidade de profissionalização ser interrompida pela “mãe protetora”. “Ela tinha medo que eu ficasse sozinha em São Paulo. Então passei a trabalhar como coordenadora de esporte de rendimento na Prefeitura de Campinas e, ao mesmo tempo, também jogava em equipes da região.”
ADEUS, CHINA
A trajetória de Cristiane teve como guia um dos nomes mais importantes da história do vôlei campineiro: Pedro Dirceu Aparecido Eiras, o China. Por 40 anos, o professor e técnico que trabalhou na Prefeitura foi responsável pela formação de várias atletas e profissionais da modalidade. Ele morreu neste final de semana aos 88 anos após passar um tempo internado no hospital Beneficência Portuguesa. “O China representou tudo para mim”, resume Cristiane, expressando sentimento de gratidão pelo “mestre”.

China, nome importante na história do vôlei campineiro, morreu neste final de semana aos 88 anos (Divulgação)