SOUSAS

Esvaziamento de lagoa artificial é autorizado

Polêmica foi parar na Polícia Ambiental, que confirmou que a obra tem licenciamento ambiental e está autorizada

Felipe Tonon
16/08/2013 às 10:55.
Atualizado em 25/04/2022 às 05:13
Margem de lago próximo ao San Conrado: empresa nega aterramento (Edu Fortes/AAN )

Margem de lago próximo ao San Conrado: empresa nega aterramento (Edu Fortes/AAN )

A secagem de um lago artificial próximo ao condomínio San Conrado, em Sousas, está intrigando moradores da região. A polêmica chegou a parar na Polícia Ambiental, que confirmou que a obra tem licenciamento ambiental e está autorizada. A Prefeitura de Campinas informou que a empresa GNO, responsável pelo empreendimento, possui todos os documentos necessários que autorizam a obra, inclusive do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Estado de São Paulo. A construtora garantiu que o lago não será aterrado e servirá de bacia de contenção de água. Na região ainda serão plantadas 14 mil árvores.Um grupo de moradores que percebeu que o nível d’água estava baixando não sabia da legalidade da obra. “A gente está indignado. Moramos aqui na frente do lago e tem esse cantinho com árvores, animais, não podem tirar tudo”, disse Cristiane Bucci, de 37 anos. “Eu tô ouvindo máquina, mas não imaginava que estava tirando a água. Não podem fazer isso, vão acabar com tudo”, afirmou a moradora Laurice Benatti, de 52 anos, que há 14 mora no condomínio. “Esse lago sempre esteve aí, desde quando comprei o terreno, há 20 anos. Criou-se um ambiente natural, com árvores, peixes, muitos bichos. O que precisa fazer é revitalizar, plantar mais árvores, ao invés de destruir. É uma judiação ver isso acabando.”De acordo com um empresário que mora em frente ao lago, no local há animais silvestres e nascentes de água. Ele informou que já foi processado por crime ambiental por fazer uma intervenção na área. “Eu tinha aberto uma viela para acessar o lago com um bote. Fui condenado, tive que fazer um reflorestamento da área. Plantei 30 árvores, paguei multa. Agora como conseguem uma autorização para secar o lago?”, questionou o morador, que preferiu não ser identificado.No início da semana a Polícia Ambiental foi ao local, mas de acordo com o cabo Álvaro Vicente, não foi constatada irregularidade. “A obra está totalmente autorizada pelos órgãos competentes. Eles (a GNO) apresentaram toda a documentação”, disse. AvalO secretário do Verde e Desenvolvimento Sustentável de Campinas, Rogério Menezes, confirmou que no local, conhecido como sítio Pedra Alta, há aprovação de um condomínio residencial, feito no ano passado, e que tem outorga junto ao Daee. “No projeto aprovado está previsto o esvaziamento do lago. Essa água será devolvida ao lago original. A empresa ainda deverá recuperar a margem do córrego que fica mais abaixo”, disse.Além da autorização do órgão estadual, existe o alvará de execução emitido pela Secretaria de Urbanismo e licença do Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo (Grapohab). Mesmo com a obra legalizada, Menezes solicitou a documentação à empresa, que tem cinco dias para protocolar na Prefeitura. “Existe o empreendimento aprovado regularmente, de qualquer forma emitimos auto de inspeção solicitando apresentação da documentação à secretaria, porque apesar do aval estadual, havendo movimentação de terra ou supressão de árvore será necessário autorização da Secretaria”, disse.O Daee informou que o empreendimento tem licenciamento ambiental, mas programou uma vistoria técnica emergencial ao local, para verificar se existem irregularidades. O resultado desse relatório ficará pronto até a próxima segunda-feira.O diretor da GNO Empreendimentos e Construções, Rogério Nasralla, informou que o lago será esvaziado até a semana que vem e funcionará como bacia de contenção, para controlar a água que vem do San Conrado. Ele afirmou que além de possuir todas as licenças, a obra é benéfica ao condomínio. “Não haverá aterramento, não haverá casas em cima. É um projeto de 127 lotes de até 1,4 mil metros quadrados. Por conta desse projeto iremos revitalizar toda a área, só na área de área de preservação permanente serão plantadas 14 mil árvores. Será uma área totalmente arborizada.”

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