TRÁFICO DE BEBÊS

Ex-donos de orfanato são investigados

No último dia 2, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão de documentos na casa do casal

Agência Estado
13/07/2015 às 19:44.
Atualizado em 28/04/2022 às 16:44

Um casal que durante as décadas de 1980 e 1990 administrou o orfanato Lar da Criança Menino Jesus, em Santana, bairro da zona norte de São Paulo, é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela suspeita de ter vendido crianças para casais estrangeiros. Dois casos de doação ilegal já foram confirmados, mas o MPF suspeita que houve outros.No último dia 2, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão de documentos na casa do casal e no prédio onde funcionou o orfanato, hoje ocupado por um Centro de Educação Infantil (CEI). O MPF ainda não sabe o que foi apreendido porque não recebeu o material da PF.Guiomar Morselli, de 79 anos, e o marido Franco Morselli já foram investigados nas esferas criminal e cível. Como os casos confirmados ocorreram há muito tempo, o processo criminal foi arquivado por prescrição.Na esfera cível, o procurador da República Jefferson Aparecido Dias impetrou no dia 14 de maio deste ano ação civil pública para tentar condenar o casal a pagar indenização por danos materiais e morais causados às pessoas que, quando bebês ou crianças, foram enviadas ilicitamente por eles ao exterior. O procurador pede ainda que o casal pague indenização por danos morais coletivos, destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. Caberá ao juiz definir o valor da indenização, caso o casal seja condenado.Um dos casos confirmados de tráfico de bebês é de Charlotte Cohen-Tenoudji, brasileira de 28 anos. Em 1987 ela foi entregue a um casal francês que teria pago cerca de R$ 100 mil. Os franceses nunca esconderam que Charlotte era adotada, mas se recusaram a contar a história da adoção, mesmo depois que ela descobriu documentos que o pai adotivo guardava. Maltratada pelos pais adotivos, ela voltou ao Brasil em 2012 e ainda hoje procura pelos pais biológicos. Em agosto de 2014, consultado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Franco Morselli afirmou que Charlotte "deveria é me agradecer", pois "foi para a França, estudou". Ele negou ter recebido dinheiro pela entrega do bebê. Procurado nesta segunda-feira (13) por telefone, o casal não foi localizado.

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