São 10 sessões de meia hora de atividades musculares e respiratórias acompanhadas pela fonoaudióloga e alguns treinos de manutenção em casa

A solução para o transtorno pode ser alcançada com exercícios simples, orientados por uma fonoaudióloga (Divulgação)
O ronco está presente na vida e interfere na qualidade do sono de uma em cada três pessoas. Responsável por situações constrangedoras e até problemas conjugais, a boa notícia é que o distúrbio tem tratamento. A solução para o transtorno pode ser alcançada com exercícios simples, orientados por uma fonoaudióloga. Em 2009, foi publicada a primeira tese de mestrado falando sobre esse tipo de tratamento, baseada em estudos realizados dentro do Incor/SP. E, desde então, a prática é cada vez mais aplicada para tratar o ronco. “Exercícios para prevenir ou até mesmo tratar o ronco deveriam ser tão importantes assim como ir à academia para fazer atividades físicas”, diz a fonoaudióloga, diretora da Academia do Ronco e membro da Associação Brasileira do Sono (ABS), Paula Brito. Atualmente, os resultados com o trabalho da fonoaudiologia na área do sono são apresentados em Congressos Nacionais em Distúrbios do Sono. E, nos últimos tempos, os exercícios estão se aprimorando e são cada vez mais eficazes. “Trabalho com ronco há mais de 10 anos em conjunto com profissionais da saúde especializados na área do sono. E, nesse período, montei um programa de tratamento baseado no fortalecimento e posicionamento da musculatura orofacial (Programa de Tonificação e Posicionamento Muscular Orofacial e Adequação Respiratória para Ronco) com ajuste no modo respiratório”, explica Paula. São 10 sessões de 30 minutos de exercícios musculares e respiratórios acompanhados pela fonoaudióloga e alguns treinos de manutenção para fazer em casa. Quando associado à obesidade, flacidez muscular e hábitos inadequados, o tratamento normalmente é agregado a dietas, exercícios musculares e aparelhos intraorais. Segundo estimativas, a maior porcentagem de roncadores é de homens adultos (40%), ficando as mulheres com 30%. O problema atinge três vezes mais os obesos. A idade é um fator crucial para o distúrbio, já que em 60% dos casos está presente no sono de pessoas com mais de 55 anos. “O ronco é um ruído provocado pela vibração nos tecidos moles localizados dentro da boca, como língua, palato mole e úvula - quando flácidas e mal posicionadas-, ao respirarmos durante o sono. Pode estar associado ao envelhecimento, como também a hábitos inadequados como mastigação unilateral, ingestão de líquidos enquanto mastiga, respirar pela boca, entre outros, que podem também acelerar o processo”, conta a especialista. Ainda, segundo a fono, o ronco é preocupante porque pode esconder um problema ainda mais grave chamado apneia do sono. “A apneia pode ser uma consequência dessa flacidez que não foi cuidada a tempo e avançou para uma parada respiratória total durante o sono que dura acima de 10 segundos e pode ocorrer diversas vezes durante a noite sem que a pessoa perceba”, lembra. A apneia do sono traz sérios problemas à saúde do individuo com o passar dos anos. E um dos principais sintomas da sua existência é a sensação de “noite mal dormida e sonolência diurna”. No mercado existem opções para o tratamento do ronco, como travesseiro em forma de cunha, dilatadores nasais e até promessa de cura natural, que em alguns casos específicos podem auxiliar, mas não tratam a causa. “Na maioria das vezes é a musculatura que está fraca, flácida e com funcionamento inadequado. Para isso, é fundamental fazer exercícios para fortalecer. As demais indicações, se o paciente deixar de usar, o problema continua ali”, enfatiza Paula. O trabalho da fono consiste em fortalecer a musculatura de língua, palato mole, úvula e demais grupos musculares ao redor da boca e garganta, como lábios, bochechas, musculatura laríngea, estimula a respiração de forma correta com apoio do diafragma e por vias nasais, além de melhorar a mastigação, deglutição e sucção. O ideal, para quem busca tratamento, é consultar um otorrino para ver se tem alguma obstrução respiratória mais grave que necessite de intervenção. “Se o médico indicar a fonoaudióloga, é importante que o paciente já tenha realizado o exame de polissonografia para sabermos se o diagnóstico é apenas de ronco. Caso tenha apneia do sono, dependendo da gravidade, nosso tratamento passa a ser complementar a outras técnicas, como aparelhos intraorais, CPAPs e ate mesmo cirurgias”, lembra. O ronco também pode ser tratado sem o uso de aparelhos, mas a pessoa deve estar disposta a mudanças de alguns hábitos, desde que não possua apneia do sono avançada. Segundo a fono, algumas dicas da chamada higiene do sono devem ser seguidas como, por exemplo, não comer próximo ao horário de dormir, evitar consumo frequente de álcool, fazer uso controlado de medicamentos como relaxantes musculares, evitar dormir de barriga para cima (prefira dormir de lado), controlar peso, ter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas, incluindo exercícios para a musculatura de garganta e face.