Como no meu artigo anterior, continuo a falar dos desafios do papa Francisco em seu primeiro ano de Pontificado, que agora são também expectativas. O Santo Padre chama atenção do mundo ao sugerir que poderia abrandar regras estritas da Igreja Católica. No primeiro ano desde a sua surpreendente eleição, o papa Francisco ampliou tanto as esperanças em mudanças iminentes nos ensinamentos da Igreja que administrar todas as expectativas está sendo um desafio. “Há uma massa crítica de católicos que querem mudança”, disse Gaillardet, presidente da Sociedade Teológica Católica da América. “Na mente de muitas pessoas, uma mudança substancial significa mudança em (...) controle de natalidade, ordenação de mulheres e casamento entre pessoas do mesmo sexo”. Os católicos mais velhos vão se lembrar de quando as expectativas de uma aprovação do Vaticano para a contracepção cresceram na década de 1960, apenas para serem frustradas em 1968, quando a encíclica do Papa Paulo VI Humanae Vitae surpreendeu muitos fiéis, defendendo a proibição tradicional. Muitos fiéis abandonaram a Igreja e sacerdotes deixaram o clero. Um grande número dos que ficaram começaram simplesmente a ignorar os ensinamentos do Vaticano sobre sexo. O Papa Francisco afastou gentilmente na semana passada as expectativas de mudanças rápidas, dizendo a um entrevistador que ele não era “uma espécie de super-homem ou uma estrela”, mas apenas “uma pessoa normal”. Os resultados da pesquisa publicados na Europa mostraram como é grande a lacuna entre os ensinamentos da Igreja e a vida dos católicos. “As declarações da Igreja sobre relações sexuais pré-matrimoniais, homossexualidade, divórcio, segundo casamento, e controle de natalidade quase nunca são aceitas, ou são expressamente rejeitadas na grande maioria dos casos”, disse a conferência dos bispos alemães em seu relatório contundente ao Vaticano. Segundo o documento, muitos não entendem a regra de que os católicos divorciados não podem se casar na Igreja e devem ter o sacramento negado, se optar por uma cerimônia civil. Uma pesquisa do Pew Research Center, em Washington no início desse mês, mostrou que Francisco é “imensamente popular entre os católicos norte-americanos”, mas muitos ainda divergiam dos ensinamentos do Vaticano. “A grande maioria dos católicos, diz que a Igreja deve permitir que tivessem controle de natalidade (77%), que os padres se casem (72%) e a ordenação de mulheres como sacerdotes (68%)”, apontou o relatório Pew. O Catolicismo Romano, a maior Igreja Cristã do mundo, abriga desde profissionais ocidentais a camponeses africanos entre seus 1,2 bilhão de membros. “Nesta Igreja em geral, existem diferentes expectativas em lugares diferentes”, observou Faggioli, que leciona na Universidade de St. Thomas, em Minnesota. Gaillardetz disse que a grande mudança que Francisco deseja é divulgar uma nova interpretação do Concílio Vaticano II, que se propôs a transformar a Igreja fortemente hierárquica em uma estrutura mais horizontal com a divisão de responsabilidades e poder entre Roma e as Igrejas nacionais e entre clérigos e leigos. Críticos impacientes aguardam um encontro de bispos em Roma, em outubro, para discutir os resultados da pesquisa. Sob os papas João Paulo 2 e Bento 16, os Concílios ocorreram em sessões com pouco debate. Se os bispos não se abrirem neste momento, segundo ele, será “um grande golpe para o Papa Francisco.