Você sabe qual é a cotação do euro hoje? Segunda-feira, quando este texto foi escrito, estava em R$ 2,58. Fiquei curiosa porque li a notícia de que um lote de três garrafas de Romanée-Conti 1990 foi arrematado por mais de 56 mil euros. Estou com preguiça de fazer contas, mas dá para cair das pernas. O vinho foi vendido no primeiro leilão da adega do extinto El Bulli, comandado pelo "bruxo" da gastronomia molecular Ferran Adrià e que fechou as portas depois de entrar para a história dos grandes restaurantes do mundo. O leilão foi realizado em Hong Kong e, diz a lenda, foram arrecadados US$ 1,8 milhões com os 445 lotes oferecidos.
O segundo conjunto chega nesta sexta-feira à Sotheby’s de Nova York e, em breve, teremos notícias sobre o resultado do leilão. Para nós, plebe rude, é difícil acreditar que alguém consegue dispor de uma fortuna para adquirir uma ou duas garrafas. Acontece, amigo, que não estamos falando de vinho. Quer dizer, estamos, mas não estamos. O assunto é investimento, não enofilia. É economia, não gastronomia. As garrafas, muito provavelmente, não serão abertas pelo comprador e o tesouro, de tempos em tempos, vai reaparecer em leilões valendo muito mais. É um dos negócios mais rentáveis e seguros que existem, dizem os especialistas.
Mas, o que faz uma garrafa valer tanto assim? Bem, um rótulo imponente combinado a uma grande safra, sua raridade e uma história de vida especial – nesse caso, ter pertencido à famosa adega do El Bulli, casa que, em três décadas, cansou de frequentar a lista dos 50 melhores do mundo da Restaurant Magazine. Se o comprador for um benemérito preocupado com o futuro da gastronomia, terá um estímulo a mais. A renda será revertida à estruturação da El Bulli Foundation, espaço voltado para a formação de chefs e a criação de alimentos. É a nova ocupação de Adrià. Saúde!
Eu quero ia a Portugal
A agenda da enofilia local está ganhando mais uma marca no calendário. No próximo fim de semana, acontece a primeira edição do Vinho & Sabores de Portugal, que vai reunir 40 produtores de vinhos, azeites e outros itens típicos do país. Os produtos estarão expostos ao público para degustação aberta. "Estamos trazendo uma seleção de produtores para que o consumidor faça, numa mesma oportunidade, uma viagem por toda Portugal, conversando diretamente com quem faz vinho", comenta o organizador da mostra no Brasil, Christian Burgos.
Douro, em Portugal, uma das vinículas mais bonitas do mundo
Segundo ele, Campinas foi escolhida para a edição inaugural pela ótima infraestrutura, capaz de comportar e contribuir para a realização do evento, e por ter se transformado, nos últimos anos, em uma das cidades com maior crescimento do mercado de vinho e gastronomia no Brasil.
O evento acontece sábado (27), das 14h às 20h, e domingo (28/4), das 14h às 19h, no Royal Palm Plaza Resort, na Av. Royal Palm Plaza, 277, Nova Califórnia. Os ingressos custam R$ 70. Informações: www.vinhoesabores.com.br e www.lojaadega.com.brhttp://www.lojaadega.com.br